quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Georg Simmel e alguns conceitos.

 

Georg Simmel (1858-1918):


Pai da microsociologia, ou seja, ele focava o estudo de sua técnica sociológica nas ações cotidianas ou no comportamento das pessoas para tentar entender a coletividade. Ou seja, Simmel inicia sua análise a partir da parte e não do todo, como fizeram Marx e Durkheim. Ele analisa o indivíduo para entender a sociedade, enquanto os outros sociólogos estudaram a sociedade para entender o indivíduo. Simmel é uma grande influência para o Sociólogo Max Weber quando este constrói o conceito de ação social.


O que acontece com os indivíduos nas grandes cidades?


Segundo Simmel, os indivíduos passam a ser mais frios, distantes, falsos, não amigáveis uns com os outros. A capacidade de se importar com o próximo, ou seja, a empatia, se perde. Um jeito triste toma conta das pessoas. A vida se torna comercializável. Tudo se transforma em mercadoria, inclusive os sentimentos das pessoas. O tempo é veloz, a vida é mais agitada. O cansaço está em todos. As pessoas não se suportam. Não ligam umas paras as outras.


O que acontece com os indivíduos nas pequenas cidades e no campo?


Nas pequenas cidades e no campo, os indivíduos são mais próximos uns dos outros, se importam mais uns com os outros, podem se ajudar mais pois, tem mais contato uns com os outros. Enquanto que nas grandes cidades isso é impossível, pelas milhões de pessoas que existem lá e pelo modo de vida que levam. O tempo no campo é outro. A calmaria e o contato com a natureza podem manter o indivíduo um pouco mais humano.


O que é a atitude blasé?


É a atitude de se lamentar pela vida vazia, difícil, solitária, agitada, cansativa, que os indivíduos levam nas grandes cidades. As pessoas passam a ter mais reserva umas com as outras, desconfiam mais. As pessoas passam a ser mais frias, distantes, falsas, competitivas umas com as outras. A capacidade de se importar com o próximo, ou seja, a empatia, se perde. Um jeito triste toma conta das pessoas, um cansaço sem fim. Ela ocorre nas pessoas que vivem na grande cidade.


Qual a saída para as pessoas diante do conflito entre a unifomização e a diferença?


A saída é a extravagância, é o exagero, é tentar demonstrar sua subjetividade, seu eu, é se mostrar, se arriscar nas artes e expressar sua individualidade, sua subjetividade, tentando marcar sua diferença diante de um mundo que esmaga a subjetividade alheia. Porém, mesmo assim, para Simmel, isso não é certeza de uma saída válida, pois as pessoas podem se expressar acreditando que estão se libertando, se diferenciando umas das outras, mas o que pode ocorrer é justamente o contrário: uma massificação das individualidades.


O que é o conceito de intensificação da vida nervosa?


É um conceito que explica que na grande cidade, somos frequentemente expostos a estímulos que acabam exigindo de nós uma sensibilidade específica para lidar com tantos anúncios e novidades. Os avanços tecnológicos e a racionalização da vida contribuem para que o cotidiano se torne ao mesmo tempo mais simples e mais complicado. Ao mesmo tempo que temos o automóvel para nos ajudar a deslocar mais rapidamente, estamos travados no trânsito. Ao mesmo tempo que temos a internet para agilizar a vida e nos tornar mais seguros, a informática vive tendo problemas e os crimes pela internet não acabam. Ao mesmo tempo que o capitalismo produz tanta riqueza, temos mais de um bilhão de pessoas passando fome no mundo. A intensificação da vida nervosa é esse conjunto de contradições da vida moderna que exaure qualquer ser humano.


Exercícios - Georg Simmel:


1-O que é o conceito de intensificação da vida nervosa?

2-O que é a atitude de reserva ou atitude blasé?

3-O que acontece com as pessoas nas grandes e pequenas cidades?

4-Qual a saída para a uniformização das pessoas?

Conceitos básicos do movimento feminista.

 

Sociologia de Gênero - Conceitos Sociológicos do Feminismo:

Feminismo: É um movimento mundial iniciado pelas mulheres em fins do século XIX e começo do século XX, para lutar por seus direitos e melhorias de vida. É uma luta contra a violência que sofre as mulheres, seja o machismo, o feminicídio, a cultura do estupro, a misoginia e outras formas de violência.

Misoginia: É o ódio ou aversão a mulheres e meninas. Embora sua manifestação mais evidente seja a violência machista (seja física, psicológica ou simbólica), também a humilhação, a discriminação, a marginalização e a objetificação sexual da mulher são formas de misoginia.

Misandria: É a aversão, ódio, desprezo, violência, que se pode sentir pelos homens e contra os homens. Ao contrário do que dizem muitos grupos machistas de extrema-direita, as feministas querem igualdade de direitos com os homens e não torná-los inferiores.

Machismo: O machismo pressupõe que as mulheres são por natureza seres inferiores aos homens. Também poderíamos dizer que é um conjunto de crenças, práticas sociais, condutas e atitudes que promovem a negação da mulher como sujeito em diversos âmbitos. Os âmbitos nos quais o gênero feminino é marginalizado podem variar (econômico, familiar, sexual, legislativo...), e, em algumas culturas, dão-se todas as formas de marginalização ao mesmo tempo.

Feminazi: Popularizada pelo conservador Rush Limbaugh em 1992 para criticar o feminismo militante, essa palavra é usada em sentido pejorativo para se referir a feministas tachadas como radicais, sob o argumento de que o feminismo não procura a igualdade entre homens e mulheres.

Androcentrismo: É a visão de mundo que situa o homem como centro de todas as coisas. O macho ocupa uma posição central na sociedade, na cultura e na história. O conceito está muito relacionado com o patriarcado, mas também com a discriminação contra a mulher. Por exemplo, quando em português utilizamos palavras no masculino para nos referirmos conjuntamente a homens e mulheres, estamos sujeitos a uma visão androcêntrica que nos faz interpretar o masculino como universal.

Patriarcado: É o sistema sociopolítico em que o gênero masculino e a heterossexualidade têm supremacia sobre outros gêneros e sobre outras orientações sexuais.

Manspreading: Diz-se de quando um passageiro (homem) abre tanto as pernas ao estar sentado no transporte público que ocupa o espaço do passageiro sentado ao seu lado. É também conhecido como o cara “folgado”. Deve se chamar a atenção do indivíduo que age desta forma.

Mansplaining: Quando um homem explica algo a uma mulher, e o faz de maneira condescendente porque dá como certo que sabe mais do que ela, podemos falar de mansplaining. Rebecca Solnit cunhou esse termo em 2008 no seu ensaio “Os Homens Explicam Tudo para Mim” (Editora Cultrix), para dar nome a uma situação que ela havia vivido numa festa: um homem tentando lhe esclarecer do que se tratava um livro que ela mesma tinha escrito. É o famoso “macho palestrinha”, pois quer dar palestra, quer mostrar que sabe mais que as mulheres. É outro tipo de machismo.

Masculinismo: Movimento que procura a igualdade entre o homem e a mulher da perspectiva masculina. Os masculinistas se queixam de que o feminismo busca a igualdade do ponto de vista da mulher e pretendem obtê-la defendendo os direitos e necessidades dos homens, assim como os valores e atitudes consideradas como tipicamente masculinos. A estratégia atual do machismo é o post-machismo.

Feminicídio: Assassinato de uma mulher em função de seu sexo. Trata-se de um crime de ódio contra mulheres e meninas pelo simples fato de elas serem mulheres ou meninas.

Empoderamento: O verbo empoderar se tornou uma palavra-chave para contribuir para o avanço social em busca da igualdade entre homens e mulheres. Costuma ser usado em referência à tomada de consciência do poder que as mulheres ostentam individual e coletivamente e que tem a ver com o resgate de sua própria dignidade como pessoa.

Cultura do estupro: Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos. E esse dado se repete no mundo todo. Esse conceito se refere a uma sociedade que permite e tolera as agressões sexuais, se culpa a vítima e se banaliza o estupro.

Sororidade: É o apoio mútuo entre as mulheres. É a irmandade entre as mulheres, para que se ajudem, cooperem umas com as outras e evitem a competição entre si. Somar e criar vínculos. Assumir que cada uma é um elo no encontro com muitas outras.


Fonte:

Texto: O vocabulário feminista que todos já deveriam estar dominando em 2017 | Cultura |

EL PAÍS Brasil. De 07/11/2017.

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/10/cultura/1499708850_128936.html?rel=mas

terça-feira, 27 de abril de 2021

Pequeno resumo sobre alguns importantes conceitos do Sociólogo Max Weber.

 Max Weber (1864-1920)1:


É um sociólogo alemão que explica o surgimento do capitalismo através das influências religiosas e comportamentais que o Protestantismo ajudou a desenvolver nos fiéis desta religião, que são predominantes nos países Europeus e do norte da América. Por consequência, são também os países mais desenvolvidos do mundo.


A ética protestante e o espírito do capitalismo: É o nome do principal livro do autor. Nesta obra, ele explica que o sistema capitalista não nasce apenas como desenvolvimento das tecnologias nos séculos XVIII e XIX, mas sim como um conjunto de atitudes das religiões que compõem o Protestantismo, que visam consagrar o trabalho humano. Para os Protestantes, os pecados não poderiam ser absolvidos pelas palavras do padre, tal como ocorre no Catolicismo, mas somente por deus. Portanto, uma das formas de deus perdoar os homens (para os protestantes), seria através do esforço pessoal e do trabalho. Por isso, os Protestantes acreditam que acumular riqueza seria uma forma de demonstrar a deus que se é uma pessoa esforçada. Ou seja, para eles, isso seria uma forma de absolver os próprios pecados perante deus. Foi esta ideia de trabalhar para enriquecer (mesmo que explorando o próximo), que ajudou a desenvolver o sistema capitalista em que vivemos hoje.


Ação social: É um conceito criado por Weber para definir a ação individual que gera impactos no restante da sociedade. É o ponto de partida deste autor para entender os problemas da sociedade e tentar resolvê-los. Enquanto Marx busca respostas no coletivo para entender a realidade humana (sindicatos, partidos, movimentos sociais e populares e outros), Weber está interessado em descobrir o que motiva a ação dos homens e assim explicar a realidade que nos cerca. Diferente também de Durkheim que foca seu entendimento nas instituições da sociedade (escolas, Estado, polícia, a moral e outras), Weber foca sua análise no entendimento das ações sociais, sua interpretação, compreensão e assim poder explicar o funcionamento do capitalismo e a orientação das pessoas nas suas ações. Para Weber, a sociedade seria como um conjunto de ações sociais.


Tipo ideal: É outro conceito criado por Max Weber para tentar delimitar quais são os objetos que podem ou não ser estudados pela Sociologia. É um conceito que assim como o “fato social” de Durkheim, tenta explicar a realidade sob o ponto de vista das Ciências Sociais. O tipo ideal pode estudar os objetos de estudo da Sociologia sem ser tão criterioso quanto o “fato social” de Durkheim. O Cientista Social tem a liberdade de interpretar o objeto de estudo da Sociologia e dar seu ponto de vista sabendo ser impossível não colocar sua própria opinião na sua análise Sociológica. Já para Durkheim, ao se usar o “fato social” para analisar a sociedade, não seria permitido a opinião, interpretação, compreensão e descrição do objeto, mas apenas analisar diretamente, friamente, de forma distante, sem se envolver com aquilo que se estuda. Ou seja, para Durkheim, o pesquisador (cientista) não deve se envolver com o objeto de estudo, tem que ser neutro. Para Weber, isso seria impossível, pois o pesquisador ou cientista sempre transmitiria sua opinião ao analisar um determinado objeto. Sempre permitiria que seus sentimentos ou opiniões interferissem em suas análises ou estudos.


Jaula de ferro da razão: Weber, por um lado, era pessimista quanto ao futuro da sociedade capitalista. Por outro lado, via um avanço nesse sistema, pois ele acreditava que o mercado evitava as guerras e os conflitos entre povos. Com o aparecimento do Estado Democrático de Direito, ou o Estado Moderno, com as proteções civis e sociais aos cidadãos, Weber acreditava que a burocracia e a lei, seriam passos importantes para se evitar a guerra de todos contra todos. A burocracia e o império da lei seriam formas de se evitar excessos por parte do Estado contra os cidadãos. Por outro lado, estas mesmas leis e burocracias do Estado, além de um excesso das técnicas da Ciência e da razão, criariam um futuro onde criatividade, sentimentos, espontaneidade e as emoções das pessoas, seriam deixadas de lado. O excesso de normas das burocracias tornariam a vida pessoal e em sociedade padronizada, sem graça, triste, fria, onde os sentimentos seriam sufocados pela razão. No fundo é uma preocupação de Weber e uma crítica ao Positivismo e suas consequências. É uma crítica também a Sociologia de Auguste Comte e Émile Durkheim e do restante dos positivistas nas Ciências Sociais.


Classes sociais: Para Marx, a classe social de um indivíduo se define pela posse ou não da propriedade que gera a riqueza (fábricas, fazendas, comércios, entre outros). Para Weber, classes não são um agrupamento de caráter econômico. Classes podem ser definidas pelo nível de estudo do indivíduo, por sua cultura e saber, pela honra ou prestígio que possui o indivíduo, pelo poder que se tem (se é político ou não, se o indivíduo é liderança da comunidade em que vive), pelo poder de consumo também. Mas não apenas pela definição econômica como pensou Marx.


Exercícios:

1-Por que Weber era pessimista em relação ao futuro do capitalismo e das sociedades modernas? O que Weber previu que poderia acontecer na Europa por causa dessa visão pessimista?

2-O que é a ética protestante e o espírito do capitalismo? O que essa história explica?

3-O que é o conceito de ação social para Weber? Dê três exemplos do que pode ser a ação social para Weber?

4-O que é o conceito de tipo ideal? Qual a diferença para o conceito de fato social de Durkheim visto na aula anterior?

5-Como Weber enxergava o sistema capitalista? Explique.

6-Qual a diferença entre o conceito de classes sociais para Karl Marx e para Max Weber?

7-Quem foi Max Weber?

8-Escreva nas suas palavras, depois de estudar um pouco sobre os três clássicos da Sociologia, o que você entendeu sobre cada um deles?

9-Qual dos três clássicos da Sociologia fez mais sentido pra você? Ou qual você concordou mais? Explique.

10-O que é a jaula de ferro da razão?

1 Texto do professor Fernando Henrique Monteiro. Bacharel em Ciências Sociais com licenciatura plena na PUC-SP, com especialização em Filosofia pela UGF-SP e mestrado em Filosofia também pela PUC-SP.

Diversos entendimentos que podemos ter sobre o conceito de cultura.

Cultura:

De acordo com a Antropologia, ciência irmã da Sociologia, cultura é "todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade". A cultura também pode ser definida de muitas formas. Vamos ver algumas mais citadas.

Etnocentrismo e Relativismo Cultural:

Etno: nação, povo, pátria.

Centrismo: o que se coloca no centro, o que é mais importante.

Etnocentrismo é o ato de se colocar uma cultura como superior as demais. Por exemplo, quando acreditamos que nossa religião, nosso time de futebol, nossas roupas e formas de se vestir, nossa alimentação e outros, como mais importantes do que a cultura das outras pessoas.

O etnocentrismo pode chegar a gerar preconceitos entre as pessoas e é considerado como o início do fascismo e do nazismo. Por isso, o etnocentrismo deve sempre ser combatido. Por exemplo, quando algumas pessoas consideram que a macumba ou a umbanda ou o candomblé são inferiores as suas próprias religiões. Isso é etnocentrismo, pois se desrespeita a religião do próximo.

Relativismo Cultural:

Para os relativistas culturais não existe uma cultura única e superior. Todas as culturas de todos os povos são importantes. Nenhuma cultura é melhor do que a outra. Todas as culturas devem ser respeitadas. O relativismo permite que olhemos as culturas de acordo com a realidade das outras pessoas que as praticam e não somente de acordo com a nossa realidade. Relativismo cultural está ligado a uma noção elástica da cultura, que não aceita a cultura humana como única, que não aceita a intolerância, que permite que a cultura funcione de acordo com o que pensa os indivíduos e não toda uma sociedade.

Formal e informal:

Cultura formal está ligada a cultura das empresas, da administração, da Ciência, das elites, dos adultos e dos mais velhos.

Cultura informal está ligada a cultura popular, que vem do povo, irônica, leve, pode ser a cultura dos jovens, adolescentes e crianças. Também pode ser a cultura que está ligada as artes de um modo geral.

Clássica ou erudita, popular e de massas:

Cultura clássica ou erudita:
Cultura clássica é aquele tipo de cultura que será sempre estudado pelos seres humanos. É a cultura que funda outras formas de cultura, como as primeiras músicas, os primeiros teatros, os primeiros clássicos da literatura, os grandes e marcantes filmes do cinema.

Cultura Popular:

É a cultura que nasce com o povo e que geralmente influencia a cultura clássica ou erudita e que também é influenciada por ela. Pode ser o funk, o rap, o samba, chorinho, a capoeira, a feijoada, entre outras.

Cultura de massas:

É a cultura massificada, ou seja, é um produto, uma mercadoria feita para ser vendida como qualquer outra mercadoria, só que disfarçada de “cultura”. Podem ser músicas, livros, shows, cinema, entre outros. Não tem por objetivo fazer as pessoas pensarem, mas apenas se divertirem. A cultura de massas serve muitas vezes para espalhar o senso comum, preconceitos e até ideologia da classe dominante.

Material e Imaterial:

Cultura Material:

É a cultura palpável de um povo ou a cultura que pode se manter ou conservar durante mais tempo. Pode ser a arquitetura dos prédios de uma cidade, podem ser seus museus, podem ser as próprias cidades, entre outros. O Cristo Redentor, o Estádio do Maracanã no Rio, a Estátua da Liberdade em Nova Iorque, são exemplos de cultura material.

Cultura Imaterial:

É a cultura que não é possível ser palpável, as vezes nem é possível vê-la, mas ouvi-la, senti-la, experimentá-la. Podem ser as danças de um povo, as lendas, os mitos, as canções de ninar, as receitas de pratos típicos, entre outros. A capoeira, a feijoada, o doce de leite de Minas, o queijo mineiro, o funk, o rap, o baile funk, são exemplos de cultura imaterial.

Exercícios:

1-O que é cultura na sua opinião?
2-Quando fazemos cultura?
3-O que é o etnocentrismo? O que o etnocentrismo pode causar de mal na sociedade? Cite um exemplo de etnocentrismo.
4-Qual cultura é a mais importante: a cultura do europeu ou a do índio das Américas? Qual cultura é mais importante: a do negro ou a do branco? Explique.
5-O que é o relativismo cultural?

Primeiro contato com o feminismo...

Simples resumo das principais vertentes ou divisões do Feminismo:

Esta aula se trata apenas como introdução ao conhecimento do movimento feminista. Existem diversas tendências no movimento. Vamos entender um pouco das principais.

Feminismo Liberal: É um feminismo que esteve presente na primeira onda feminista. Era muito preocupado com os direitos civis das mulheres (direito a votar e ser votada, direito de trabalhar, direito de gerenciar sua vida financeira, etc) e as liberdades individuais em fins do século XIX e começo do século XX.

Feminismo Socialista: Está preocupado não somente com os direitos civis das mulheres, mas com o fim da exploração dos (das) trabalhadores (as) no sistema capitalista. Culpam a exploração como a raiz do machismo.

Feminismo negro: Está envolvido com a luta das mulheres negras contra o apartheid na África do Sul, contra o racismo nos EUA e em todas as nações do mundo. É um feminismo forte no Brasil, pois se preocupa com as condições de pobreza e o preconceito que sofre a mulher negra.

Feminismo Lésbico ou Lesbianismo: Elas acreditam que as mulheres podem ser felizes entre elas mesmas sem a obrigação de se relacionarem exclusivamente com homens.

Anarco-feminismo: Acreditam que as mulheres só serão livres quando o Estado, o poder, as autoridades e o sistema capitalista acabarem. Querem que o povo governe, sejam homens e mulheres e não os ricos e os políticos. Acreditam que a anarquia é o sistema ideal para acabar com o machismo e gerar uma sociedade não violenta, não sexista, anti-machista, anti-homofóbica e contrária a todos os preconceitos. Também culpam a exploração capitalista e a existência da autoridade patriarcal como responsáveis pelo machismo.

Feminismo interseccional: É uma tentativa de unir todas as lutas feministas ou de outras minorias em uma só. Porém as diferenças são grandes. São as mais receptivas ao apoio dos homens dentro do movimento. Acreditam que o preconceito pode acontecer de várias formas: a mulher pode sofrer por ser negra, pobre, mulher, favelada, entre outros...

Feminismo radical: Também conhecidas como radfem, querem o fim da sociedade patriarcal e o direito e a liberdade das mulheres viverem sem a interferência dos homens, pois acreditam que o machismo é próprio de todos os homens. Não acreditam que simplesmente mudar leis vá mudar o machismo dos homens.

Feminismo e outras minorias: as feministas também lutam lado a lado com a comunidade LGBTT, pois acreditam que estas minorias também são vítimas do machismo que atinge todas as mulheres. As feministas também se solidarizam com a luta indígena, pois as mulheres indígenas também sofrem.

Exercícios:

1-O que é o feminismo?

2-O feminismo é importante? Ou nos dias de hoje não tem mais importância? Explique.

3-O que pensam as anarco-feministas?

4-Por que existe um feminismo das mulheres negras?

5-O que tem a ver o feminismo com a comunidade GLBTT?

sexta-feira, 2 de abril de 2021

O mito da democracia racial no Brasil...

Aula: Raça, preconceito e desigualdade social.

O Mito da Democracia Racial no Brasil:

  • Gilberto Freire em sua obra “Casa Grande e Senzala”, defende a ideia de que no Brasil ocorreu a miscigenação de raças de modo tranquilo, pacífico e amigável entre negros, brancos e índios.

  • A raça da classe social dominante (branca e europeia) deveria dominar as demais raças, negra e indígena de modo a domesticá-las, educá-las e torná-las obedientes ao elemento colonizador (assim pensavam tais Antropólogos).

  • O branqueamento do Brasil tinha como função servir de exemplo cultural e estético para as elites brancas Brasileiras e para a população negra do país.

  • O Sociólogo Brasileiro Sérgio Buarque de Holanda em sua obra “Raízes do Brasil”, defendeu a ideia de que os Portugueses e os Espanhóis tinham mais tolerância a mistura de raças do que o restante dos europeus, pois seus territórios foram ocupados por Mouros e outros povos durante centenas de anos, o que fez com que ambos conseguissem aceitar melhor o convívio com negros e índios no Brasil, resultando na defesa, mesmo que indireta, da teoria da Democracia racial.

  • Para parte da Historiografia e Sociologia, Americana e Brasileira, no Brasil não ocorreu a criação de Leis de exclusão dos direitos políticos e sociais dos negros tal como aconteceu nos Estados Unidos e na África do Sul.

Outro Sociólogo, Florestan Fernandes por sua vez...

  • Fez uma crítica ao conceito da Democracia Racial argumentando que a mistura de raças não ocorreu por que Portugueses e Espanhóis já possuíam este comportamento de aceitação do elemento estrangeiro em suas terras natais, tal como defendia o Sociólogo brasileiro Sérgio Buarque de Holanda.

  • A mistura de raças no Brasil ocorreu por causa da violência do branco sobre o negro. Os senhores de escravos utilizavam as mulheres negras como objetos de seu prazer sexual. Seus filhos também eram iniciados na vida sexual através das escravas e em muitas destas vezes, tais relações nasciam do uso da força bruta e masculina (estupro) sobre as mulheres negras. Ou seja, para Florestan, o Mito da Democracia Racial não passa de um conto de fadas ou uma estória da carrocinha criada e contada pela elite brasileira para amansar ou diminuir a revolta dos negros.

  • Para Florestan, a maior prova de que existe preconceito racial no Brasil é a atual situação da população negra no país: em boa parte ganhando menos que os brancos, morando pior que os brancos, presente em atividades que demandem menos escolaridade.

  • Em sua obra, “A integração do negro na sociedade de classes”, Florestan Fernandes comprova que assim que ocorreu o fim da escravidão, os latifundiários que se aproveitavam da mão de obra escrava e negra, dispensaram todos os escravos e estes foram parar nas cidades de grande e médio porte do país. O Capital, ressentido com o fim da mão de obra escrava, descontou sua raiva não empregando negros em quaisquer tipos de atividades econômicas. Pra piorar, com a “Lei da Vadiagem”, os negros foram expulsos para os morros e para as periferias das grandes cidades, pois se ficassem no centro das mesmas, seriam presos. E assim foram criadas as primeiras favelas das grandes metrópoles brasileiras. Esta é outra das teorias que discordam do Mito da Democracia Racial.

Hoje em dia:

As discussões das cotas podem ser uma saída para atenuar a imensa disparidade entre brancos e negros no Brasil. Não podemos esquecer também, que existem muitos brancos e mestiços pobres que também poderiam ser beneficiados pelas cotas. Mas aí o caráter de reparação da escravidão estaria resolvido?

Conclusão:

Despertar a participação no debate em torno do tema para que a sociedade possa contribuir com a discussão atual sobre se as cotas são positivas ou não, se devem estar presentes apenas na Universidade ou fora dela, se devem ser raciais ou econômicas ou ambas e principalmente, se elas resolvem os problemas de séculos de escravidão e o que pode ser feito então para resolver esta triste herança.

Pequeno resumo sobre algumas escolas da Antropologia: Estruturalismo.

Sociologia - O Estruturalismo:

O estruturalismo é uma escola da Antropologia fundada por Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Lévi-Strauss é um Antropólogo e Filósofo Belga que iniciou seus estudos em diversas etnias indígenas no Brasil, nos Estados do Mato Grosso e outros. Ele viveu entre os índios brasileiros por muitos anos. O estruturalismo se caracteriza por:

Ter uma preocupação com a subjetividade dos indivíduos para entender a cultura a ser estudada. Strauss tinha noção de que sua antropologia não podia se tornar Psicologia.

Existe um diálogo com Max Weber ao entender na figura do indivíduo e suas dinâmicas (“ação social”) um fator importante para se interpretar uma cultura e uma realidade de uma etnia e povo.

Visão por inteiro da cultura. Recebe influências da Psicologia ao interpretar o inconsciente para entender a cultura.

Divide as culturas em:

Simples ou frias: São base de sociedades mais básicas e simples.

Complexas ou quentes: São parte de sociedades avançadas, industrializadas ou modificadas pelo progresso do capitalismo.

O estruturalismo não julga a cultura alheia como faziam os antropólogos da escola evolucionista: subalterna, inferior, atrasada, velha, versus a cultura europeia como superior, avançada, moderna, nova, versus os outros povos. O “europeísmo”,” eurocentrismo” e “etnocentrismo” são fortemente criticados no estruturalismo. Lévi-Strauss entendia que todas as culturas humanas eram importantes, se complementavam e que deveriam sempre serem respeitadas.

O Estruturalismo estabelece ligações ou conexões entre elementos diversos, como as instituições e a cultura e os próprios indivíduos e a cultura. O Estruturalismo nasce da conclusão entre estes dois itens: o indivíduo e sua subjetividade e as culturas presentes nas instituições de diversas sociedades.

O estruturalismo não vê como uniforme o avanço da cultura e da tecnologia humana. Os avanços não ocorreram sempre. Também houveram retrocessos na história humana. Essa concepção de história contraria os “evolucionistas”, “positivistas” e a crença no “determinismo da história” presente na antropologia e sociologia Marxista.

Os avanços e descobertas não foram realizados apenas pelos povos brancos e europeus como sugere a escola evolucionista dentro da antropologia. Outros povos também contribuíram com os avanços científicos, culturais e tecnológicos da humanidade.

Lévi Strauss também fala da importância da “exogamia”, se contrapondo a “endogamia”. A exogamia foi a responsável pela atitude das primeiras comunidades humanas em buscar parceiros (as) fora de suas relações sanguíneas. O que acabou fortalecendo geneticamente a raça humana.

O Estruturalismo nos ensina que não podemos julgar outra cultura pelo nosso olhar, pois sempre imaginaremos que nosso modo de vida ou nosso jeito de ser e estar é melhor, mais avançado, mais justo do que o do outro povo ou cultura que comparamos. Comparações entre culturas seria algo injusto para Lévi-Strauss. Típico comportamento dos antigos antropólogos evolucionistas.

Ou seja, em outras palavras, ao julgarmos o colega de sala pelo seu time de futebol (diferente do meu), ao julgarmos o vizinho pela sua escolha sexual (diferente da minha), ao julgarmos a religião do próximo como inferior, enfim, ao realizarmos julgamentos sobre a cultura e o modo de ser e existir do próximo, estamos caindo em etnocentrismo que é no fundo, o primeiro passo para a barbárie nazista. Portanto, não julgue, não compare, não desrespeite a cultura do teu próximo. Estas são algumas lições do Estruturalismo e de Lévi-Strauss para o mundo.

Exercícios:

1-O Estruturalismo classifica as sociedades e culturas do mesmo modo que o Evolucionismo? Explique.
2-Qual a concepção de história da humanidade que tem os Estruturalistas?
3-Existe conflito entre as escolas Evolucionista e Estruturalista dentro da Antropologia? Explique.
4-Quais os riscos de se estudar uma Antropologia que fala sobre a subjetividade de indivíduos de outros povos?
5-O que é o estruturalismo?
6-Como nasce o estruturalismo?
7-Na sua opinião, é justo compararmos a cultura do próximo com a nossa cultura? Explique.
8-Quais os riscos de se comparar a cultura alheia com a sua própria?
9-Qual a importância da exogamia para o estruturalismo?
10-A História humana foi sempre marcada por avanços? Ou em algumas ocasiões ocorreram retornos, retrocessos? Explique.