domingo, 11 de setembro de 2016

Auguste Comte e um pequeno resumo de alguns de seus conceitos.

Auguste Comte (1798-1857)[1]:
É considerado o primeiro grande Sociólogo. Nasceu na França, obteve influências na obra de Hegel, Francis Bacon e Descartes.
Ø  Comte cria o conceito de “Física Social”. Influência das Ciências Exatas sobre as Ciências Humanas. É uma tentativa de criar uma Ciência Humana com a exatidão das exatas. Posteriormente ele a chamará de Sociologia.
Ø  Desenvolve o conceito da “Lei dos três Estados ou dos três estágios” para explicar o desenvolvimento da humanidade em fases:
Ø  1º Estágio: Teológico: fase inicial da evolução humana onde o discurso mítico é predominante.
Ø  2º Estágio: Filosófico ou Metafísico: fase secundária da evolução, quando o discurso teológico perde força para o discurso filosófico e metafísico, porém, contendo algumas influências do conhecimento mitológico.
Ø  3º Estágio: Positivo: fase final da evolução humana, social e científica. Quando o método da Ciência Moderna está pronto para levar a civilização a um grande salto do saber.
Ø  Positivismo se refere ao progresso constante da história humana com a crença de constante evolução. Se refere a positividade da Idade das Luzes, do esclarecimento ou do Iluminismo. Essa ideia de constante evolução, progresso, avanço, é base do pensamento positivista.
Ø  É uma tentativa de se desenvolver a “religião da humanidade”. Excesso da filosofia empirista e cientificista e da racionalista e lógica. Influência de David Hume, Francis Bacon e Descartes (método empírico e racional, respectivamente). A Ciência substitui a religião e se torna a verdade absoluta. Verdade é objetiva e não subjetiva. É experimental, sensível, racional e lógica.
Ø  Política: Sua Sociologia se divide em dois grandes campos: a Estática Social e a Dinâmica Social. “Ordem” e “progresso” são os lemas que representam as condições de manutenção e evolução das sociedades. Ordem é a base da Sociologia Estática. Está relacionada com a necessidade de se evitar o caos: greves, revoltas, motins, revoluções, protestos, são considerados perturbações da ordem (para Comte). Está presente nas instituições de todas as sociedades (ou deveria estar): família, escola, exércitos, religião, propriedade, etc. O Progresso está relacionado com a Sociologia Dinâmica. O progresso está subordinado a ordem. Somente ocorrerá o progresso das sociedades e das Ciências se a ordem for mantida para que o capitalismo (na nossa época) possa se expandir por todo o globo e levar a evolução do comércio e dos mercados para todas as nações. A Sociologia nasce com o objetivo de apoiar o desenvolvimento do capitalismo e a expansão de mercados consumidores em todo o mundo.
Ø  Quem deve governar o Estado para Comte é a figura do “déspota esclarecido”. Ou seja, o líder que estudou e conhece as Ciências e a Filosofia.
Ø  No Brasil, a influência do Positivismo de Auguste Comte foi imensa. Os lemas da bandeira da república são o lema da sua Sociologia. O hino nacional também. Comte era estudado pelos militares de alta patente até meados do século XX no Brasil. O positivismo também influenciou o velho Marechal Rondon e as políticas da FUNAI e da ditadura para tratar a educação brasileira e os avanços e destruição da floresta amazônica nos anos 70 até hoje. É a chegada da ordem e do “progresso” na floresta para “civilizar” os índios.
Ø  No Brasil, em Porto Alegre e no Rio de Janeiro, foram criadas capelas ou igrejas positivistas. No lugar dos santos do catolicismo, estão os grandes filósofos e cientistas da humanidade.
Ø  Comte também desenvolveu o calendário positivista. No lugar dos meses que conhecemos (janeiro, fevereiro, março, etc), haviam os nomes de grandes líderes políticos, filósofos, artistas e outros. Os dias da semana e as semanas também tiveram nomes alterados.
Ø  Consequências do positivismo nas Ciências e na atualidade: As ciências se tornaram a verdade absoluta. Para Comte, o cientista deve se “afastar”, se manter “neutro”, “distante” e “imparcial” para que os resultados do seu trabalho não sejam contaminados com suas impressões pessoais ou opiniões. Isso é impossível para outros cientistas e sociólogos. Um exemplo disso nos dias de hoje (dessa distância do cientista com seus objetos de estudo), é que a Ciência comete os crimes mais bárbaros em nome do progresso e desrespeita tanto a natureza quanto os seres humanos. Como os testes em animais (na indústria farmacêutica), os agrotóxicos, as armas de destruição em massa (armas químicas, atômicas, nucleares), a clonagem, os alimentos geneticamente modificados (transgênicos), entre outros. A Ciência ainda entende, até os dias de hoje, que o homem não está ligado a natureza. Essa concepção de homem, de natureza e de ciência, pode nos levar a destruição da vida na Terra. Influência da Ciência da modernidade, do positivismo e do iluminismo nos nossos dias.




[1] Texto do Professor Fernando Monteiro. Formado em Ciências Sociais, com bacharelado e licenciatura pela PUC-SP (2007). Além de especialização em Filosofia pela UGF (2012) e Mestrado também em Filosofia pela PUC-SP (2014).

Exercícios para aprender a votar.

Sociologia:
Exercícios para entrega:
a) Copie apenas as perguntas e responda numa folha a parte.
b) Individual.
c) Para entrega nesta aula.
d) Devolva a folha da matéria e esta de perguntas ao término da aula.
e) Fotografe pelo seu celular a folhinha do texto e guarde para ler e estudar para a prova posteriormente. Compartilhe com seus colegas de sala a imagem.
f) Valendo nota.

1-Por que o item 11 é o mais importante para nos ensinar a votar?
2-Por que votar corretamente está ligado a tua felicidade pessoal?
3-O que está em jogo nas eleições?
4-Qual a importância de guardar (registrar) o teu voto e dos teus familiares?
5-O que ocorre se você, os adultos e as outras pessoas não se importarem com a política?
6-Por que o item 7 nos pede para confirmar uma informação em mais de um meio de comunicação?
7-O que é o voto de legenda? Qual a sua importância?
8-Qual a importância do voto nulo e em branco?
9-Na sua opinião, qual a importância das eleições?
10-Na sua opinião, o que pode ser feito para melhorar a cidade e o país?
Dicas de como votar corretamente ou conscientemente – 2016 – Eleições Municipais:[1]
      1.     Analise o passado do candidato e do partido dele também. Existem dezenas de programas para celular e de computador na internet, além de dezenas de sites que investigam o passado, presente e os projetos e planos de governo de muitos políticos em todo o país. Também existem dezenas de programas que monitoram e fiscalizam as votações dos parlamentares em todo território nacional. Informe-se antes de votar.
2.     Fiscalize os políticos antes, durante e depois das eleições. Tenha força de vontade para fazê-lo.
3.     Anote o nome e número dos candidatos que você votou e o partido dos mesmos. Assim, você poderá cobrá-lo caso ele descumpra o que prometeu. Guarde os santinhos (panfletos) dos seus candidatos e também dos candidatos de todos os membros da sua família, numa pasta (tal como as contas de casa) e organize os por eleição. Assim será fácil lembrar e cobrar depois.
4.     Se desejar votar nulo, faça-o com consciência. O voto nulo é a escolha de quem não se identifica com nenhum partido, candidato ou que não concorda com o sistema político ou econômico em que vivemos. O voto nulo também pode ser uma forma de protesto. Para votar nulo, digite 00 (ou qualquer outro número de partido que não exista) e confirme.
5.     O voto em branco também é uma opção. Para votar em branco, pressione o botão “branco” na urna eletrônica e confirme. Detalhe: o voto nulo e em branco não vão para o primeiro candidato ou o vencedor como antes era realizado.
6.     Leia as propostas e programas dos candidatos. Procure se informar com quem conhece e apoia para ouvir diferentes opiniões. Confira na página do Facebook (ou de outras redes sociais) do candidato, quem são seus amigos que curtem sua página para saber com quem falar. Procure participar de debates ou entrevistas públicas dos candidatos em sua cidade.
7.     Assista ao programa eleitoral e aos debates televisivos ou radiofônicos de sua cidade. Acompanhe pela internet, pelos jornais, revistas, blogs, sites de notícias, redes sociais, entre outros. Mas sempre confirme as informações que obtiver em outros veículos de informação. Lembre-se: a imprensa também teu seu partido político predileto!
8.     Votar exige um esforço imenso do indivíduo. Quando você não se importa em quem está votando, entrega o poder do governo nas mãos do pior de todos os candidatos. Isso ocorre por que se você não se importa com o teu voto, significa que a tua escolha não será bem feita. Se a escolha não foi bem feita, o governante que administrará a sociedade pode ser o pior de todos.
9.     Portanto, votar diz respeito a tua vida pessoal, dos teus vizinhos, amigos, colegas de trabalho, moradia, escola e faculdade. Votar diz respeito a tua felicidade pessoal.
10.  Descubra quem financiou e quem financia o candidato que você quer votar e os outros candidatos também. Assim você saberá para qual empresa o seu candidato irá trabalhar. Dessa forma você também descobre se quem financia o seu candidato são empresas ou pessoas físicas que se empenham pessoalmente em ajuda-lo.
11.  Vote de acordo com o candidato (ou o partido) que representa as necessidades da sua classe social. Portanto, identifique de qual classe social você pertence e busque candidatos que defendam os interesses da sua classe.
12.  Vote no partido. Em muitos países do mundo, o voto é de “legenda” e não na pessoa. Voto não é personalização do político. Político não é rei e nem deus para ser adorado. O “voto de legenda” é um voto num projeto de país, de nação. Ou um voto que defenda sua classe social.
13.  Acompanhe os candidatos nas redes sociais, nos blogs ou nos sites dos partidos ou das campanhas. Também acompanhe o que dizem todos os seus professores. Pelo tempo de experiência, de vida e de estudo, eles podem lhe auxiliar a fazer uma escolha correta. Mas lembre-se: o voto é seu!
14.  Votar não é brincadeira. Leve a sério. É a vida de todas as pessoas que está em risco.
15.  Lembre-se: eleições são debates de ideias e projetos de sociedade. É um momento em que se discutem e se debatem ideias; e não pessoas. Não ofenda, não desrespeite, não humilhe, não agrida seu conterrâneo. Dialogue em paz. Ninguém é obrigado a concordar com as suas ideias. Bom voto e boa festa da democracia!



[1] Texto do professor Fernando Monteiro. Bacharel com licenciatura em Ciências Sociais pela PUC-SP com especialização em Filosofia pela UGF-SP e mestrado em Filosofia também pela PUC-SP.

O que é coisificação? E reificação?

Material usado em sala de aula para o Ensino Médio afim de esclarecer de forma mais didática possível o que é o conceito de coisificação e reificação. Bons estudos!

Coisificação e Reificação do outro:[1]



  1. Ø Coisificação ou reificação são outras formas de alienação do ser humano.
  2. Ø Coisificar é representar o ser humano como objeto físico, privado de qualidades pessoais ou de individualidade e subjetividade.
  3. Ø Coisificar é considerar o trabalho e o próprio trabalhador como uma mercadoria.
  4. Ø Coisificação ou reificação é transformar o homem (ser humano) em objeto de consumo.
  5. Ø Transformação de conceitos, ideias, sonhos, desejos em objetos concretos, como mercadorias, possíveis de serem comercializados. Exemplo: amor, você só recebe se doa. Isso também é coisificação ou reificação.
  6. Ø Para o Sociólogo e Filósofo Theodor Adorno, o contato com as máquinas fez o homem se desumanizar. Os esportes e a competição também desumanizam o homem quando fazem com que os mesmos se portem como máquinas ou tentem se aproximar (ou igualar) das mesmas. O corpo deve se assemelhar a uma máquina e ser copiado por todos. Isso deve funcionar como modelo padrão de beleza para homens e mulheres. Isso é desrespeitar a outra pessoa e suas diferenças. É o “embrutecimento” e a “desumanização” do homem.
  7. Ø O capitalismo também faz o homem se desumanizar quando trata a natureza como objeto a ser explorado assim como o próprio trabalhador. 
  8. Ø O egoísmo exacerbado também é exemplo de coisificação do homem. A satisfação imediata dos meus desejos independente da vontade da outra pessoa vem sempre em primeiro lugar. O ser humano se torna posse, propriedade do outro: isso gera o ciúme doentio. São exemplos de coisificação.
  9. Ø Só o que pode ser útil, prático, comercializável, trocado e comprado tem valor nesta sociedade capitalista que vivemos. As boas ideias não tem valor. Tudo vira mercadoria, inclusive a vida e os sentimentos das pessoas, de acordo com Adorno.
  10. Ø Coisificação é parte da barbárie imposta pelo capitalismo. Barbárie é a erradicação de tudo o que existe de humano no homem. O nazi-fascismo é parte da barbárie. Exemplo: quando Hitler manda diversas minorias para os campos de concentração e extermínio antes e durante a II Guerra: isso é coisificação do homem. É trata-lo como nada, como lixo, como resto, como algo sem valor, desprezando a vida de todos.
  11. Ø O homem domina a natureza com a Ciência e a técnica. Além disso, domina a si mesmo e as diversas minorias. Enquanto existir o capitalismo, a vida continuará sendo tratada como objeto a ser negociado e consumido, no entendimento do Filósofo e Sociólogo Theodor Adorno.
  12. O grande artista e diretor, Charles Chaplin já dizia: "Não sois máquina! Homem, é que sóis!" É uma crítica a coisificação do ser humano.
Alguns outros exemplos da coisificação do homem e da natureza:

  1. O machismo contra as mulheres. 
  2. A pedofilia contra as crianças. 
  3. O sexismo contra homens e mulheres. 
  4. O racismo. 
  5. Intolerância de gênero, de religião, de etnia, entre outras. 
  6. Homofobia.
  7. Intolerância aos idosos. 
  8. Carnivorismo. 
  9. Pornografia e outros. 
  10. Crueldade aos animais. 
  11. Domesticação de animais silvestres. 
  12. Tratar a arte e a educação como mercadoria, como objeto, como algo sem vida. 
  13. A mais valia ou a exploração do homem pelo homem.

Trabalho valendo nota:

a) Copiar as perguntas abaixo numa folha a parte e responder.
b) Individual.
c) Para entrega: imediata e com consulta.

1-O que é a coisificação?
2-Você coisifica o outro? Explique.
3-Tudo na vida pode e deve ser comprado? Explique.
4-O trabalhador é propriedade de seu patrão? Explique.
5-Você trata o seu professor como coisa? E o seu colega de sala de aula? Explique.
6-O que pode ser feito para acabar com a coisificação do homem?
7-Educação é direito ou é mercadoria? Explique.
8-Como a alienação transforma o homem em coisa?
9-Cite três exemplos de dominação do homem sobre a natureza.
10-O que acontece com os sentimentos das pessoas no capitalismo?

[1] Texto do professor Fernando Monteiro. Bacharel com licenciatura em Ciências Sociais pela PUC-SP com especialização em Filosofia pela UGF-SP e mestrado em Filosofia também pela PUC-SP.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Novas atualizações.

Companheiros (as)

Em breve novas atualizações no Blog.

Depois de quase um ano sem trazer boas novas, trarei novidades.

Abraços a todos (as).

Prof. Fernando Monteiro.

domingo, 22 de novembro de 2009

XXIV CONGRESSO DA AIT!!!

SINDICATO LIVRE DAS AMÉRICAS:
SITUAÇÃO E PROJEÇÃO.
Porto Alegre (Dias 4, 5 e 6 de Dezembro de 2009)
XXIV CONGRESSO AIT

A.C.A.T.

SEMINÁRIO INTERNACIONAL

Serão abordados temas voltados para a Crise Global do Capitalismo, o Meio Ambiente e a história das lutas da Associação Continental Americana de Trabalhadores, Associação Internacional dos Trabalhadores, e suas perspectivas nos dias de hoje. Com ênfase em suas projeções de ações solidárias, culturais voltadas para o continente americano.

Formato:
Programação voltada para o debate dos temas inscritos, com um evento aberto voltado ao público em geral, na noite de Sábado, do dia 05/12, às 20h, no formato de uma RODA de IMPRENSA, com a participação internacional de sindicalistas da AIT de outros paises. De caráter informativo, abordando suas lutas, realidades e atividades (empregando recursos de informação áudio-visual).

Justificativa:
Em 2009 a Associação Internacional dos Trabalhadores AIT; 145 anos após sua oficialização enquanto organização de luta do movimento operário mundial, através de sua seção no Brasil, a COB, e o Centro Cultural e Artístico de Porto Alegre, irá realizar, pela primeira vez na sua história, nos dias 4,5 e 6 de dezembro, na cidade de Porto Alegre, um resgate sobre: SINDICATO AUTÔNOMO DAS AMÉRICAS: SITUAÇÃO E PROJEÇÃO. Para entendermos a dimensão e a importância do resgate histórico é preciso relatar que só no International Institute of Social History (IISH), de Amsterdam, existem 1015 títulos da Imprensa Operária relativos à América Latina, sem considerar suas diversas edições, abordando a história do movimento social. Da América do Sul, Central e parte da América do Norte, no período de 1880 a 1940 existem catalogados uma profusão de jornais e organizações operárias que se liga a história das lutas sociais e da AIT, através da Associação Continental Americana de Trabalhadores. São 421 organizações na Argentina; 4 na Bolívia; 40 no Peru; 144 no Brasil; 76 no Chile; 5 na Colômbia; 40 em Cuba; 5 no Equador; 6 na Guatemala; 4 em Honduras; 148 do México; 7 do Paraguai; 10 em Porto Rico ; 3 em El Salvador ; 3 no Suriname; 99 no Uruguai.

Apontamentos Teóricos:
O caráter internacional da crise capitalista tem de motivar a todos nós a construir na mesma dimensão, com as organizações dos trabalhadores, um exemplo que possa ser apresentado como forma de solidariedade proletária, de união e de alternativa de intervenção ao modelo tradicional de política e que resgate a inclusão social dos trabalhadores, dos seus direitos, para o seu empoderamento enquanto sociedade civil organizada.

Entendamos que o empoderamento dos trabalhadores possibilita superação da condição de desempoderamento das populações pobres, as quais segundo Nyerere (1979), não podem se desenvolver se não tiverem UNIÃO. Significa em geral a ação direta e a solidariedade orgânica coletivista revolucionária, desenvolvida pelos indivíduos quando participam de espaços privilegiados de decisões, de consciência social dos direitos sociais. Essa consciência ultrapassa a tomada de iniciativa individual de conhecimento e superação pontual de uma situação particular (realidade) em que se encontra, até atingir a compreensão de teias complexas de relações sociais que informam contextos econômicos e políticos mais abrangentes. Unificação da sociedade para que efetivamente se possa trabalhar pela mudança social ao criar nas condições de luta atuais as bases da sociedade futura.

Apoio Cultural e Programação:
Confederação Operaria Brasileira/AIT.

Exposição I:

Autogestão e a Coletivização na Revolução Espanhola

Exposição II:

Cartazes, eventos e jornais das Seções da COB/AIT

Debates:

- Sindicato Autônomo das Américas: Situação e projeção.

- Sindicalismo independente e a atuação da AIT.

- A condição humana e a situação global do trabalho.

- Ação do modelo capitalista na degradação do ambiente.

Haverá atividades culturais, exposições de documentos e palestras abertas ao público. Convidamos todos também a trazer suas contribuições documentadas sobre os tópicos, com as quais será publicado um livro ao término do seminário junto a considerações relevantes.

Local: Cia de Arte, Rua dos Andradas, 1780 Porto alegre (RS).

Horários: A recepção, inscrição e credenciamento dos participantes será feita no dia 3 de dezembro, após as 15hs, de forma ininterrupta até às 20hs. Nos dias 4 e 5 os trabalhos terão início às 9hs, com intervalos, até às 22hs. No dia 5, das 20hs até 22hs acontecerá o debate público com a presença internacional dos sindicalistas da AIT.

Inscrições: Centro Cultural e Artístico de Porto Alegre, Fone: (51)3222 9817. *até 02/dezembro/2009* centroculturaleartistico@yahoo.com.br

Iniciativa: XXIV Congresso da AIT, Federação Operária do Rio Grande do Sul, Confederação Operária Brasileira, Grupo Ecológico Alerta Verde e Sindicatos de Artes e Ofícios Vários de Porto Alegre, Canoas e Nova Santa Rita.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O MOVIMENTO OPERÁRIO NA PRIMEIRA REPÚBLICA

O Movimento Operário na Primeira República.
Cláudio Batalha. Coleção Descobrindo o Brasil. Editora Jorge Zahar. Rio de Janeiro, 2000.

O livro inicia dando um pequeno informe de qual o olhar e o recorte que pretende dar o autor a obra. Tenta desmistificar a figura do operário estrangeiro, anarquista, italiano, revolucionário como único fator de existência do operariado brasileiro na República Velha. Desconstituindo-se assim todo um universo maior já romantizado desta figura caricata acima representada. O livro nos lembra a presença de outros estrangeiros, da participação do negro (apesar de não explicitar), de outras correntes ideológicas dentro do movimento operário e da participação do próprio povo brasileiro (ao contrário de alguns historiadores que chegam a dizer que os movimentos grevistas na República Velha eram obra dos imigrantes essencialmente dos italianos).

Em seguida traz importantes informações sobre a situação do movimento operário no Brasil, dados da imigração, números sobre salários e comparativos dos mesmos entre regiões do país e seus diferenciais dentro de um mesmo ofício e de diferentes profissões,dando assim um olhar geral sobre as condições do operariado a época.

De certo modo o autor também nos traz informações valiosas sobre os nomes utilizados pelos Sindicatos e suas respectivas interpretações. Por exemplo, ao definir a diferença entre Sociedades “de Resistência” e as Sociedades “Beneficentes”. A primeira se recusava ao assistencialismo enquanto a segunda era praticamente uma entidade de caráter mutualista. A segunda tentava se pautar mais sobre a defesa imediata de alguns interesses econômicos dos trabalhadores, não se importando em alguns casos com a questão da luta de classes. Apesar de mesmo algumas entidades de resistência prestarem algum tipo de assistência. Quanto a denominação de Ligas Operárias, faltou esclarecer que muitas vezes estas tinham o caráter de organização por locais de moradia como forma de se ganhar apoio nas greves dentro dos bairros e de se germinar as sementes do processo revolucionário. O autor também cita os Sindicatos de Ofícios Vários, que eram uma forma de se organizar categorias que estavam distantes dos movimentos grevistas. Para ele, os Sindicatos por Ofício eram a base do movimento durante a Primeira República. Foi a partir dos anos de 1917 e 19 que os Sindicatos por Indústria ganharam força e estrutura dentro do movimento sindical brasileiro.

O autor também traz boas informações a respeito da história da Federação Operária do RJ – FORJ:

“Assim, a Federação Operária do Rio de Janeiro funcionou por um breve período em 1906, quando foi criada; voltou a ser organizada em 1907 e funcionou até 1910; novamente reorganizada em 1912, ficou em atividade até 1917, quando foi fechada pela polícia”.
[1]

O autor também faz um relato sobre as diversas concepções ideológicas presentes no movimento operário a época, tais como o cristianismo, stalinistas a partir de 1922, os anarquistas em suas diferentes concepções de lutas e estratégias para o movimento operário, positivistas, Socialistas, etc.

Porém, de forma predominante, como afirma o próprio autor, podemos dizer que o movimento operário se dividia em duas grandes concepções, os sindicatos de Ação Direta e os Sindicatos Reformistas.

Há também uma discordância de conceitos entre Batalha e Boris Fausto sobre o conceito utilizado ao Sindicalismo Oficial ou reformista a época. Para Batalha e outros, o termo mais correto é “Sindicalismo Amarelo”, enquanto Boris Fausto o retrata de “Trabalhismo Carioca”. Para o autor da obra, há um equívoco nesta expressão pois Trabalhismo só começou a ser utilizado no movimento sindical pós 30 com a intromissão do Varguismo. Para tanto, Batalha acredita haver um anacronismo na expressão além de crer que a expressão carioca não daria a dimensão de um sindicalismo (reformista) presente em quase todo o território brasileiro.

A obra nos traz informações sobre as fundações de outras Federações Operárias como a do RS, a FORGS:

“Durante os primeiros anos de sua existência, da fundação em 1906 até 1911 (quando os partidários da Ação Direta ganharam as eleições para a Direção), a Federação Operária do Rio Grande do Sul foi denominada pelos Socialistas e, por tanto, pelo Sindicalismo Reformista em uma de suas expressões”.
[2]

Informações das Minas Gerais também aparecem em diversos momentos:

“Outra expressão do Sindicalismo Reformista foi a Federação Operária Mineira, com sede em Juiz de Fora, pelo menos durante os primeiros tempos de sua atuação, na primeira metade da década de 20”.
[3]

Voltando a história da FORJ,

“Um mês após a greve era fundada a Federação das Associações de Classe, que em 1905 daria origem a Federação Operária Regional Brasileira. Esta, por sua vez, organizaria o Primeiro Congresso Operário Brasileiro, em abril de 1906, transformando-se em seguida na FORJ”.
[4]
O livro também nos traz dados importantes a respeito dos números de estrangeiros expulsos pela Lei Adolfo Gordo. Nos traz atividades realizadas pela COB – Confederação Operária Brasileira em defesa dos estrangeiros, contra a carestia e além de informes sobre o I, II e III Congressos Operários de 1906, 1912 e 1920 respectivamente.

O autor erra ao fazer uma afirmação completamente equivocada sobre o desfecho da Greve Geral de 1917, citando que os anarquistas pediram auxílio a autoridades ou a pessoas da Imprensa para que intermediassem as negociações com os patrões. Quem não queria sob hipótese alguma negociar com a patronal eram os trabalhadores. O que ocorre é que um grupo de jornalistas de diversos Jornais da Capital (OESP, etc) se oferecem a serem porta-vozes das exigências dos trabalhadores e do CDP (Comitê de Defesa Proletária) e entregam a pauta de reivindicações dos operários a Patronal. Não houve em momento algum como cita Batalha, pedido de intermediários para negociar em nome do movimento grevista.
[5]

Outro erro drástico do autor é o tratamento sobre a Greve Insurrecional de 1918 no Rio de Janeiro. Tachando a de “canhestra tentativa insurrecional”
[6], tenta minimiza-la a um movimento de poucas lideranças anarquistas com um punhado de trabalhadores têxteis, metalúrgicos, militares e outros, desprezando-se assim todo o processo organizacional do movimento, a Greve Geral que se construiu e outras atividades envolvidas no processo. Também não leva em consideração o forte aparato de vigília e repressão que o movimento operário passava até ser denunciado no dia da insurreição. Tanto as opiniões sobre a Greve Geral Anarquista de 1917 em Sp e seu desfecho quanto sobre a Greve Geral Insurrecional no RJ, são típicos argumentos marxistas para minimizar ou desqualificar a importância histórica destes eventos do movimento operário sob a liderança dos anarquistas. Sobre esta greve geral no Rio, ver texto publicado aqui no Blog.

A partir de julho de 1922, com o Estado de Sítio instaurado sobre as diversas insurreições preparadas pelos movimentos tenentistas, provocou as chances e as brechas para que o Estado intervisse de maneira mais violenta sobre as organizações operárias desestruturando até mesmo as mais reformistas das Associações.

Já em 1927, o Comunistas criam a Federação Sindical Regional do RJ (FSRR) enquanto os anarquistas refundam a FORJ. Em 29, com a crise econômica vinda dos EUA, o Brasil é, até então dependente do café e da monocultura do mesmo plantio, quebra com queda dos preços. Toda a economia do país segue o fundo do poço, o que faz com que o movimento operário entre novamente em uma grande depressão com raras manifestações e greves, de acordo com o autor.

A obra também reflete a cultura operária em sua última parte sempre relatando a importância do anarquismo. Alguns Sindicatos de orientação anarquista viam com certa desconfiança o uso dos esportes dentro da recreação operária. Preferiam as atividades de caráter mais cultural do que lúdica para dentro do movimento, de acordo com a obra do autor.

Considerações

O livro finaliza com uma cronologia da história do movimento operário na República Velha, dando ênfase a algumas atividades relacionadas aos Comunistas e Socialistas, não negando as ações mais claras e importantes dos anarquistas no período por já serem públicas e notórias.

De uma forma geral, parece não haver tantos avanços nas publicações de grandes fatos e acontecimentos realizados pelos anarquistas na obra de Batalha mesmo que já fosse o objetivo do autor salientado desde o começo da obra. Por outro lado, em uma pequena e singela obra, o autor nos traz alguns dados importantes e ricos para quem deseja iniciar uma pesquisa na área, não deixando de lado (é muito perceptível) sua influência pelo marxismo em críticas e posições que toma ou demonstra durante a mesma.
[1] Pg. 19.
[2] Pg. 34.
[3] Pg. 34.
[4] Pg. 40.
[5] Pg. 51.
[6] Pg. 53.