terça-feira, 2 de novembro de 2010

Novas atualizações.

Companheiros (as)

Em breve novas atualizações no Blog.

Depois de quase um ano sem trazer boas novas, trarei novidades.

Abraços a todos (as).

Prof. Fernando Monteiro.

domingo, 22 de novembro de 2009

XXIV CONGRESSO DA AIT!!!

SINDICATO LIVRE DAS AMÉRICAS:
SITUAÇÃO E PROJEÇÃO.
Porto Alegre (Dias 4, 5 e 6 de Dezembro de 2009)
XXIV CONGRESSO AIT

A.C.A.T.

SEMINÁRIO INTERNACIONAL

Serão abordados temas voltados para a Crise Global do Capitalismo, o Meio Ambiente e a história das lutas da Associação Continental Americana de Trabalhadores, Associação Internacional dos Trabalhadores, e suas perspectivas nos dias de hoje. Com ênfase em suas projeções de ações solidárias, culturais voltadas para o continente americano.

Formato:
Programação voltada para o debate dos temas inscritos, com um evento aberto voltado ao público em geral, na noite de Sábado, do dia 05/12, às 20h, no formato de uma RODA de IMPRENSA, com a participação internacional de sindicalistas da AIT de outros paises. De caráter informativo, abordando suas lutas, realidades e atividades (empregando recursos de informação áudio-visual).

Justificativa:
Em 2009 a Associação Internacional dos Trabalhadores AIT; 145 anos após sua oficialização enquanto organização de luta do movimento operário mundial, através de sua seção no Brasil, a COB, e o Centro Cultural e Artístico de Porto Alegre, irá realizar, pela primeira vez na sua história, nos dias 4,5 e 6 de dezembro, na cidade de Porto Alegre, um resgate sobre: SINDICATO AUTÔNOMO DAS AMÉRICAS: SITUAÇÃO E PROJEÇÃO. Para entendermos a dimensão e a importância do resgate histórico é preciso relatar que só no International Institute of Social History (IISH), de Amsterdam, existem 1015 títulos da Imprensa Operária relativos à América Latina, sem considerar suas diversas edições, abordando a história do movimento social. Da América do Sul, Central e parte da América do Norte, no período de 1880 a 1940 existem catalogados uma profusão de jornais e organizações operárias que se liga a história das lutas sociais e da AIT, através da Associação Continental Americana de Trabalhadores. São 421 organizações na Argentina; 4 na Bolívia; 40 no Peru; 144 no Brasil; 76 no Chile; 5 na Colômbia; 40 em Cuba; 5 no Equador; 6 na Guatemala; 4 em Honduras; 148 do México; 7 do Paraguai; 10 em Porto Rico ; 3 em El Salvador ; 3 no Suriname; 99 no Uruguai.

Apontamentos Teóricos:
O caráter internacional da crise capitalista tem de motivar a todos nós a construir na mesma dimensão, com as organizações dos trabalhadores, um exemplo que possa ser apresentado como forma de solidariedade proletária, de união e de alternativa de intervenção ao modelo tradicional de política e que resgate a inclusão social dos trabalhadores, dos seus direitos, para o seu empoderamento enquanto sociedade civil organizada.

Entendamos que o empoderamento dos trabalhadores possibilita superação da condição de desempoderamento das populações pobres, as quais segundo Nyerere (1979), não podem se desenvolver se não tiverem UNIÃO. Significa em geral a ação direta e a solidariedade orgânica coletivista revolucionária, desenvolvida pelos indivíduos quando participam de espaços privilegiados de decisões, de consciência social dos direitos sociais. Essa consciência ultrapassa a tomada de iniciativa individual de conhecimento e superação pontual de uma situação particular (realidade) em que se encontra, até atingir a compreensão de teias complexas de relações sociais que informam contextos econômicos e políticos mais abrangentes. Unificação da sociedade para que efetivamente se possa trabalhar pela mudança social ao criar nas condições de luta atuais as bases da sociedade futura.

Apoio Cultural e Programação:
Confederação Operaria Brasileira/AIT.

Exposição I:

Autogestão e a Coletivização na Revolução Espanhola

Exposição II:

Cartazes, eventos e jornais das Seções da COB/AIT

Debates:

- Sindicato Autônomo das Américas: Situação e projeção.

- Sindicalismo independente e a atuação da AIT.

- A condição humana e a situação global do trabalho.

- Ação do modelo capitalista na degradação do ambiente.

Haverá atividades culturais, exposições de documentos e palestras abertas ao público. Convidamos todos também a trazer suas contribuições documentadas sobre os tópicos, com as quais será publicado um livro ao término do seminário junto a considerações relevantes.

Local: Cia de Arte, Rua dos Andradas, 1780 Porto alegre (RS).

Horários: A recepção, inscrição e credenciamento dos participantes será feita no dia 3 de dezembro, após as 15hs, de forma ininterrupta até às 20hs. Nos dias 4 e 5 os trabalhos terão início às 9hs, com intervalos, até às 22hs. No dia 5, das 20hs até 22hs acontecerá o debate público com a presença internacional dos sindicalistas da AIT.

Inscrições: Centro Cultural e Artístico de Porto Alegre, Fone: (51)3222 9817. *até 02/dezembro/2009* centroculturaleartistico@yahoo.com.br

Iniciativa: XXIV Congresso da AIT, Federação Operária do Rio Grande do Sul, Confederação Operária Brasileira, Grupo Ecológico Alerta Verde e Sindicatos de Artes e Ofícios Vários de Porto Alegre, Canoas e Nova Santa Rita.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O MOVIMENTO OPERÁRIO NA PRIMEIRA REPÚBLICA

O Movimento Operário na Primeira República.
Cláudio Batalha. Coleção Descobrindo o Brasil. Editora Jorge Zahar. Rio de Janeiro, 2000.

O livro inicia dando um pequeno informe de qual o olhar e o recorte que pretende dar o autor a obra. Tenta desmistificar a figura do operário estrangeiro, anarquista, italiano, revolucionário como único fator de existência do operariado brasileiro na República Velha. Desconstituindo-se assim todo um universo maior já romantizado desta figura caricata acima representada. O livro nos lembra a presença de outros estrangeiros, da participação do negro (apesar de não explicitar), de outras correntes ideológicas dentro do movimento operário e da participação do próprio povo brasileiro (ao contrário de alguns historiadores que chegam a dizer que os movimentos grevistas na República Velha eram obra dos imigrantes essencialmente dos italianos).

Em seguida traz importantes informações sobre a situação do movimento operário no Brasil, dados da imigração, números sobre salários e comparativos dos mesmos entre regiões do país e seus diferenciais dentro de um mesmo ofício e de diferentes profissões,dando assim um olhar geral sobre as condições do operariado a época.

De certo modo o autor também nos traz informações valiosas sobre os nomes utilizados pelos Sindicatos e suas respectivas interpretações. Por exemplo, ao definir a diferença entre Sociedades “de Resistência” e as Sociedades “Beneficentes”. A primeira se recusava ao assistencialismo enquanto a segunda era praticamente uma entidade de caráter mutualista. A segunda tentava se pautar mais sobre a defesa imediata de alguns interesses econômicos dos trabalhadores, não se importando em alguns casos com a questão da luta de classes. Apesar de mesmo algumas entidades de resistência prestarem algum tipo de assistência. Quanto a denominação de Ligas Operárias, faltou esclarecer que muitas vezes estas tinham o caráter de organização por locais de moradia como forma de se ganhar apoio nas greves dentro dos bairros e de se germinar as sementes do processo revolucionário. O autor também cita os Sindicatos de Ofícios Vários, que eram uma forma de se organizar categorias que estavam distantes dos movimentos grevistas. Para ele, os Sindicatos por Ofício eram a base do movimento durante a Primeira República. Foi a partir dos anos de 1917 e 19 que os Sindicatos por Indústria ganharam força e estrutura dentro do movimento sindical brasileiro.

O autor também traz boas informações a respeito da história da Federação Operária do RJ – FORJ:

“Assim, a Federação Operária do Rio de Janeiro funcionou por um breve período em 1906, quando foi criada; voltou a ser organizada em 1907 e funcionou até 1910; novamente reorganizada em 1912, ficou em atividade até 1917, quando foi fechada pela polícia”.
[1]

O autor também faz um relato sobre as diversas concepções ideológicas presentes no movimento operário a época, tais como o cristianismo, stalinistas a partir de 1922, os anarquistas em suas diferentes concepções de lutas e estratégias para o movimento operário, positivistas, Socialistas, etc.

Porém, de forma predominante, como afirma o próprio autor, podemos dizer que o movimento operário se dividia em duas grandes concepções, os sindicatos de Ação Direta e os Sindicatos Reformistas.

Há também uma discordância de conceitos entre Batalha e Boris Fausto sobre o conceito utilizado ao Sindicalismo Oficial ou reformista a época. Para Batalha e outros, o termo mais correto é “Sindicalismo Amarelo”, enquanto Boris Fausto o retrata de “Trabalhismo Carioca”. Para o autor da obra, há um equívoco nesta expressão pois Trabalhismo só começou a ser utilizado no movimento sindical pós 30 com a intromissão do Varguismo. Para tanto, Batalha acredita haver um anacronismo na expressão além de crer que a expressão carioca não daria a dimensão de um sindicalismo (reformista) presente em quase todo o território brasileiro.

A obra nos traz informações sobre as fundações de outras Federações Operárias como a do RS, a FORGS:

“Durante os primeiros anos de sua existência, da fundação em 1906 até 1911 (quando os partidários da Ação Direta ganharam as eleições para a Direção), a Federação Operária do Rio Grande do Sul foi denominada pelos Socialistas e, por tanto, pelo Sindicalismo Reformista em uma de suas expressões”.
[2]

Informações das Minas Gerais também aparecem em diversos momentos:

“Outra expressão do Sindicalismo Reformista foi a Federação Operária Mineira, com sede em Juiz de Fora, pelo menos durante os primeiros tempos de sua atuação, na primeira metade da década de 20”.
[3]

Voltando a história da FORJ,

“Um mês após a greve era fundada a Federação das Associações de Classe, que em 1905 daria origem a Federação Operária Regional Brasileira. Esta, por sua vez, organizaria o Primeiro Congresso Operário Brasileiro, em abril de 1906, transformando-se em seguida na FORJ”.
[4]
O livro também nos traz dados importantes a respeito dos números de estrangeiros expulsos pela Lei Adolfo Gordo. Nos traz atividades realizadas pela COB – Confederação Operária Brasileira em defesa dos estrangeiros, contra a carestia e além de informes sobre o I, II e III Congressos Operários de 1906, 1912 e 1920 respectivamente.

O autor erra ao fazer uma afirmação completamente equivocada sobre o desfecho da Greve Geral de 1917, citando que os anarquistas pediram auxílio a autoridades ou a pessoas da Imprensa para que intermediassem as negociações com os patrões. Quem não queria sob hipótese alguma negociar com a patronal eram os trabalhadores. O que ocorre é que um grupo de jornalistas de diversos Jornais da Capital (OESP, etc) se oferecem a serem porta-vozes das exigências dos trabalhadores e do CDP (Comitê de Defesa Proletária) e entregam a pauta de reivindicações dos operários a Patronal. Não houve em momento algum como cita Batalha, pedido de intermediários para negociar em nome do movimento grevista.
[5]

Outro erro drástico do autor é o tratamento sobre a Greve Insurrecional de 1918 no Rio de Janeiro. Tachando a de “canhestra tentativa insurrecional”
[6], tenta minimiza-la a um movimento de poucas lideranças anarquistas com um punhado de trabalhadores têxteis, metalúrgicos, militares e outros, desprezando-se assim todo o processo organizacional do movimento, a Greve Geral que se construiu e outras atividades envolvidas no processo. Também não leva em consideração o forte aparato de vigília e repressão que o movimento operário passava até ser denunciado no dia da insurreição. Tanto as opiniões sobre a Greve Geral Anarquista de 1917 em Sp e seu desfecho quanto sobre a Greve Geral Insurrecional no RJ, são típicos argumentos marxistas para minimizar ou desqualificar a importância histórica destes eventos do movimento operário sob a liderança dos anarquistas. Sobre esta greve geral no Rio, ver texto publicado aqui no Blog.

A partir de julho de 1922, com o Estado de Sítio instaurado sobre as diversas insurreições preparadas pelos movimentos tenentistas, provocou as chances e as brechas para que o Estado intervisse de maneira mais violenta sobre as organizações operárias desestruturando até mesmo as mais reformistas das Associações.

Já em 1927, o Comunistas criam a Federação Sindical Regional do RJ (FSRR) enquanto os anarquistas refundam a FORJ. Em 29, com a crise econômica vinda dos EUA, o Brasil é, até então dependente do café e da monocultura do mesmo plantio, quebra com queda dos preços. Toda a economia do país segue o fundo do poço, o que faz com que o movimento operário entre novamente em uma grande depressão com raras manifestações e greves, de acordo com o autor.

A obra também reflete a cultura operária em sua última parte sempre relatando a importância do anarquismo. Alguns Sindicatos de orientação anarquista viam com certa desconfiança o uso dos esportes dentro da recreação operária. Preferiam as atividades de caráter mais cultural do que lúdica para dentro do movimento, de acordo com a obra do autor.

Considerações

O livro finaliza com uma cronologia da história do movimento operário na República Velha, dando ênfase a algumas atividades relacionadas aos Comunistas e Socialistas, não negando as ações mais claras e importantes dos anarquistas no período por já serem públicas e notórias.

De uma forma geral, parece não haver tantos avanços nas publicações de grandes fatos e acontecimentos realizados pelos anarquistas na obra de Batalha mesmo que já fosse o objetivo do autor salientado desde o começo da obra. Por outro lado, em uma pequena e singela obra, o autor nos traz alguns dados importantes e ricos para quem deseja iniciar uma pesquisa na área, não deixando de lado (é muito perceptível) sua influência pelo marxismo em críticas e posições que toma ou demonstra durante a mesma.
[1] Pg. 19.
[2] Pg. 34.
[3] Pg. 34.
[4] Pg. 40.
[5] Pg. 51.
[6] Pg. 53.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Anarquistas expropriadores.

Anarquistas expropriadores.
Bayer, Osvaldo. São Paulo. Editorial Luta Libertária. 2004.

Era chamado também de anarquismo delitivo ou de delitos. Seu período de auge ocorreu na Argentina nas primeiras décadas do século XX, mais especialmente a partir de 1919. Foi um movimento mais intenso, de acordo com o autor do que os expropriadores na Espanha. O primeiro caso foi no dia 19 de maio de 1919. Uma tentativa de roubo a uma casa de Câmbio em Buenos Aires que havia dado errado por despreparo de um de seus executores.

Daí em diante abre dentro do movimento libertário argentino uma pergunta: Deve o movimento se apoiar na causa dos expropriadores para sustentar a causa ideológica? Ou deve recusa-lo? Aparentemente, de acordo com o autor, os anarcosindicalistas da FORA o recusaram desde sempre enquanto os partidários da “Ação Direta” mais próximos do individualismo o defenderam. Já os anarco-comunistas atacarão a proposta desde sempre. É engraçado o autor qualificar os expropriadores de partidários da “Ação Direta” como se os anarcosindicalistas não o fossem. E as greves? Paralisações? Greves de advertência? Sabotagens? Label e tantas outras táticas contra o patronal? Como ficam?

Nestes idos de 1919 em diante, não haverá sequer uma semana no país que não ocorra trégua nos conflitos entre a Liga Patriótica Argentina (entidade fascista de defesa da propriedade privada, da terra e dos latifundiários e da burguesia urbana) contra os expropriadores.

Bayer também nos traz as histórias de trabalhadores rurais (especialmente os peões) que desafiaram o poder local dos delegados de polícia. A polícia tinha o costume de convocar as lideranças para interrogar e pressionar as lideranças anarquistas. Fazia-os tirarem suas armas, e já desarmados passavam por uma espécie de corredor alemão, alguns sendo mortos ao término e outros agredidos quando não torturados. Jacinto Aráuz foi um dos que se negou a entregar a arma e iniciou uma verdadeira cena de cinema dentro da delegacia ao matar diversos policiais e ser morto sem contudo entregar sua arma.Aráuz ficou conhecido como o símbolo do olho por “olho, dente por dente”.

O acirramento entre aqueles que defendem a luta armada dentro do movimento libertário e os que são contra, chega ao ponto de dividir o Comitê de Presos Sociais e Deportados, uns indo de encontro a defesa dos “Protestistas” (partidários do jornal “La Protesta”), ligados a FORA e ao anarcosindicalismo em sua decisão tirada no V Congresso. Outros mais próximos ao Jornal “La Antorcha”, apelidados “Antorchistas”, eram defensores dos partidários da luta armada.

O autor coloca uma expressão pesada na boca de um Jornal anarcosindical sem citar fonte, data, nome do Jornal, ao qual se refere que os anarquistas da Região do Rio Negro, que assumem um assalto depois de muita tortura da polícia, são “delinqüentes vulgares que nada tem que ver com as propaganda e as idéias anarquistas”. Tal afirmação, de acordo com as palavras do autor (sem, repito citar as fontes) provocaria um imenso racha dentro do movimento libertário argentino até sua queda nos 30.

O autor também cita uma espécie de contradição dos anarcosindicalistas de evitar ajuda a outros presos políticos e sociais e de defender Sacco e Vanzeti para que fossem libertados, sendo os dois, depois de vários estudos a respeito de suas militâncias, comprovadamente serem militantes da luta armada.

Durruti em companhia de outros anarquistas espanhóis saem pela América em busca de se levantar fundos para apoio a causa da derrubada da monarquia na Espanha e em apoio ao movimento revolucionário espanhol. Ocorrem assaltos no México, Cuba, Chile e na Argentina onde somente na 3º tentativa conseguem levantar fundos. Voltam os três para a França quando são pegos pela polícia. O governo argentino pede a extradição dos mesmos. A campanha pela soltura de Durruti e amigos se fez tão forte que em alguns momentos parecia muito mais ruidosa do que aquela de Sacco e Vanzeti. Lutavam muitos povos para que os 3 anarquistas não fossem extraditados da França para a Argentina. Como seria um grande desgaste para o Presidente Argentino Alvear, caso os 3 fossem recebidos, julgados e condenados, pediu o Governo Argentino que a França enviasse os mesmos em um de seus navios. A França se nega e esta celeuma acaba sendo a colher de chá que ambos Governos queriam: iriam cozinhar o galo até que o prazo proposto pelo Governo Francês de um mês para a retirada dos três se esgotasse. Não queriam ambos os Governos se desgastar diante de suas respectivas opiniões públicas. Por fim, os três foram soltos e expulsos de imediato para a Bélgica.

O livro também traz a história do anarquista Roscigna, um dos grandes expoentes dos expropriadores. Conta diversos assaltos realizados pelo grupo e um que chama muito a atenção: a criação de um túnel com mais de 50 metros de comprimento e pelo menos 4 metros de profundidade para libertar presos no presídio de Punta Carretas. Isto em agosto de 1929. Nove conseguem escapar. Porém, alguns dias depois, caem presos em Montevidéu Roscigna, Moreti e outros expropriadores delatados por um ex-colega de cela de Moreti.

Repressão e Vingança:

É importante que o próprio autor reconheça que o anarquismo delitivo acaba virando um fim em si mesmo. Os atos destes companheiros geralmente acabam em morte, seja no momento das ações ou posteriormente no jogo de gato e rato entre a polícia e os expropriadores. Há situações em que o dinheiro roubado é pego de volta, existem muitos caso de ajuda aos familiares dos expropriadores que caem mortos ou presos e o pior de tudo é que a existência destes tipos de ações dão motivos de sobra ao Estado se utilizar de instrumentos fascistas contra todo o movimento, colocando num mesmo balaio de gato sindicalistas, comunistas, individualistas e os expropriadores. Pra piorar, boa parte (ou quase toda) a quantia arrecadada pelos expropriadores não era destinada a organização dos trabalhadores para se apoiar a revolução. Não faltam argumentos de sobra para se criticar o delitismo. Ele termina em si mesmo. Sustenta a si mesmo.

Ao termino da obra, as mortes cometidas contra os expropriadores utilizando-se da tortura e de novos métodos de agressão física, vão ser espalhados pelo país durante os próximos regimes ditatoriais dos quais passará a Argentina. O importante a salientar é que da mesma forma como ocorreu no Brasil e em praticamente dos os países da América, os Governos Locais utilizaram-se de Ditaduras Militares, assassinatos em massa, Campos de Concentração (Ushuaia, Clevelândia, etc) para se conseguir vencer o anarcosindicalismo seja nos EUA com a IWW, no México com a CGT, no Panamá com os Sandinistas, no Brasil com a COB, na Argentina com a CGT e a FORA, no Uruguai com a FORU, etc...

Apesar de algumas revelações históricas aparentemente confidenciais ou de não conhecimento do grande público, principalmente no que toca a questão do Delegado assassino de anarquistas morto pelo Dirigente dos portuários, Morán, membro da FORA (isso o autor não cita), a obra como um todo tende mais a literatura política e histórica do que uma obra essencialmente científica, acadêmica e bem embasada nas suas fontes históricas. Como romance de um momento áureo do anarquismo delitivo na Argentina, realmente vale ser lido.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Revolução Russa – 1917-1921

A Revolução Russa – 1917-1921
Daniel Aarão Reis Filho – Editora Brasiliense

Livro de 120 páginas com primeira edição em 1983 da Coleção “Tudo é História” da respectiva Editora.

O livro é dividido em 7 Capítulos, sendo o 1º e 2º tratando da Rússia Czarista e de suas tradições revolucionárias. O Capítulo 3 falando sobre a I Guerra Mundial e a queda do Czar. As revoluções de 1917 e o golpe de outubro estão presentes nos Capítulos 4 e 5. Os primeiros meses pós-golpe de outubro, a guerra civil na Rússia e a instalação da Ditadura do Partido Único são analisados no Capítulo 6. O último capítulo trata das relações internacionais do novo Governo.

A Rússia dos Czares

A Rússia era até fins do século XIX, um país essencialmente agrário exportador, com pouca concentração e baixo desenvolvimento industrial, presente nas regiões de Petrogrado e Moscow. Ainda estava numa etapa intermediária de passagem para o Capitalismo e a concentração de terra em mãos dos antigos e milenares Senhores Feudais era forte. Na virada do século, a Rússia ainda era um país essencialmente agrícola. Cerca de 79% de sua população ou 103 milhões de habitantes vivia no campo, enquanto o restante vivia nas cidades. As vésperas da I Guerra, a riqueza do país era assim distribuída: 45,3% vindos da Agricultura, 21% para a Indústria e o restante ao Setor de Serviços e Comércio. Grande parte dos investimentos de tecnologia eram proporcionados pelo Imperialismo Alemão, Ingleses, Franceses. O país era bem dependente de investimentos externos e de tecnologia externa. Era rara ou quase inexistente a indústria de bens de produção ou pesada e estava praticamente toda nas mãos dos estrangeiros.

Haviam basicamente os grandes proprietários de terra (nobreza e burguesia), médios e pequenos proprietários e as Comunas Rurais, que agrupavam famílias de camponeses pobres que trabalhavam na terra e socializavam a produção entre si. As divisões se davam desta maneiraI
[1]:

Kulacs: Eram os camponeses ricos. Possuíam as melhores terras, tinham instrumentos de trabalho e sempre conseguiam guardar excedente de produção. O que os tornava ainda mais ricos.

Seredniaks: Camponeses médios. Trabalhavam a terra com a família e ocasionalmente conseguiam excedentes de produção.

Bedniaks: Camponeses pobres. Tinham dificuldades para se alimentar (principalmente nos períodos de intenso frio, pois não conseguiam produzir excedente), eram obrigados a trabalhar para terceiros e ainda tinham que arrendar parte de suas terras durante o período quente do ano.

Em 1861, o Estado trata de abolir a escravidão presente fortemente no campo criando o Estatuto de Abolição da Servidão. As Comunas tinham um Sistema de organização local e nacional que posteriormente seria importante no apoio dos Soviets do Campo. Elas eram responsáveis pela organização dos Serviços Fiscais e pela manutenção da ordem pública. Cada Comuna possuía uma assembléia de Chefes de Família. Representantes de 10 aldeias elegiam um delegado para um nível superior de organização. Estes delegados formavam uma ligação com o poder do Estado. Para os grandes proprietários de terra a Comuna era vantajosa por que lhes proporcionava mão de obra barata e abundante. Para o Estado era uma forma de manter o controle dos trabalhadores do campo e a mesma estrutura fundiária. Em 1903 e 1906, elas chegam quase a acabar, mas conseguirão, mesmo a contragosto do poder se manter até a Revolução de 17.

Se de uma forma geral, a conjuntura dos setores econômicos não era boa o suficiente, a situação para a população pobre também não era gentil. As Jornadas de Trabalho chegavam a alcançar cerca de 12 a 15 horas de trabalho diário, greves e manifestações eram constantemente reprimidas com muita violência pela Guarda do Czar, o custo de vida era alto e em algumas regiões os salários continuavam sendo pagos em gêneros alimentícios e outros meios que não o dinheiro. Assim como no Brasil de hoje, a Velha Rússia também combinava modos de produção em seu território de acordo com os interesses da velha e decadente nobreza e da burguesia rural e latifundiária. Se nas cidades ou em alguns outros locais de trabalho se vivia a pujança do Capitalismo, no Campo o que se via era o velho Senhor Feudal arrendando parte de suas terras em troca de comida ou favores aos camponeses que nela trabalhavam.

A Revolta contra o Czarismo

No ano de 1858, chegaram a ocorrer em 25 províncias da Rússia, sublevações de camponeses que lutavam pela distribuição de terras, extermínio dos nobres, abolição da escravidão e dos impostos e a libertação das nações eslavas oprimidas pelo Czarismo Imperial Russo. Em 1891, 1902, 1904 e 05, os camponeses Russos voltariam a se sublevar contra as obrigatoriedades do Estado Russo entre outras palavras de ordem: terras, menos impostos, melhores condições de vida.

Nas cidades, entre os anos de 1894 e 97, os operários têxteis de Petrogrado realizarão greves envolvendo cerca de 40 mil grevistas, alcançando a redução da jornada de 14 para 12 horas. Nos anos de 1908 a 1911, chegaram a reunir 113 mil grevistas. Não podemos esquecer que estes números representavam aproximadamente pouco mais de 10% do número de operários no país naqueles anos pré primeira Guerra. São através de muitas destas experiências que os operários russos fundaram os primeiros Soviets, Conselhos de Fábricas dos próprios trabalhadores que seriam os responsáveis pela organização das futuras revoltas e revoluções que viriam a seguir.

A Revolução de 1905

Em 9 de janeiro de 1905, os trabalhadores previamente organizam um grande abaixo assinado com mais de 100 mil assinaturas e pretendem levá-lo ao Czar pedindo melhores condições de trabalho, diminuição do custo de vida, direito de greve reconhecido, reforma agrária e outros. A Guarda do Czar recebe o povo com balas e matam mais de 1000 trabalhadores. É o chamado domingo sangrento da Revolução de 1905. Pode se de certa forma dizer que a máscara do Czar cai neste momento. O povo deixa de vê-lo como um ser Iluminado e divino e começa a enxergá-lo como o carrasco responsável pela miserabilidade de suas vidas.

Os marinheiros de Kronstadt e de Sebastopol se amotinam voltando a luta em novembro depois do episódio do Encouraçado de Potemkin. Em Moscou, houve fortíssima resistência. Os trabalhadores conseguem através do Soviet local proclamar a Insurreição contra a autocracia. Durante 14 dias conseguiram derrotar o Exército. Mas a resposta vem em forma de fúria e numa nova investida o exército toma a cidade e consegue massacrar as organizações operárias. Estava derrotada a Revolução de 1905.

As correntes políticas: populismo e marxismo

A obra neste ponto é extremamente ideológica. Como quase todos os Historiadores Ideólogos do Marxismo-Leninismo, este por vezes muda os nomes que definiriam os anarquistas a época: chama-os de Internacionalistas em alguns momentos, Anarquistas propriamente ditos ou Sindicalistas Revolucionários, Elementos sem Partido entre outros nomes. Tal atitude é proposital pois visa tentar dar uma aparência de desorganização e descontinuidade nas lutas, campanhas e propostas que os anarquistas russos tinham. Neste caso, vale a pena falar sobre a Revolução Anarquista na Ucrânia comandada por Nestor Makhno, mas que em momento algum é tocado no livro. O autor também não toca no assunto da KRASS, Confederação anarcosindicalista que em seu Congresso lança a palavra de ordem: “Todo Poder aos Soviets!”. Logo adiante voltaremos ao assunto.

Outro problema sério ao relatar as correntes políticas da época é tentar colocar os anarquistas como Socialistas Utópicos. Cita Bakunin e algumas de suas atividades nos anos de 1870 mas em momento algum fala dos Narodniks ou Partido do Povo. Organizações de caráter anarquista que em meados do século XIX sacudiam a Rússia dos Czares. Também não toca em momento algum no recém criado anarcocristianismo, fundado por Tolstoi e Dostoiewsk e que seria responsável por fortes mobilizações populares em favor do anarquismo na Rússia.

Como o próprio título deste sub-capítulo aponta, outro erro é tentar caracterizar as principais correntes ideológicas da Rússia enquanto derivadas do populismo e do reformismo e do marxismo como “revolucionário”. O autor em raras passagens até cita os anarquistas, mas como movimento sem forças políticas e sociais para construir a revolução. Ou seja, costuma colocá-los em posição desprivilegiada ou em depreciação de suas reais forças e estruturas.

Neste capítulo há uma série de informes sobre crescimento dos bolcheviques, do seu Partido Operário Social Democrático – POSDR, dos resultados de seus Congressos, das principais lideranças como Lênin, Stálin e Trotsky além dos Mencheviques.

A I Grande Guerra e a Revolução de Fevereiro

Se formos levar em consideração o que disse Lênin sobre o Imperialismo em seu livro “Imperialismo: fase superior do Capitalismo”, podemos entender que a primeira grande guerra estoura graças ao conflito de interesses entre as principais potências imperialistas e econômicas da época: Inglaterra, Alemanha, França, Itália entre outras.

O custo de vida para a população mais pobre nas principais cidades sobe bastante. Durante os anos de 1913 e 1916, o preço do pão subiria 63%. A produção de cereais cairia aproximadamente 21%.

O movimento grevista volta a tomar força depois de decair no início da guerra. Em 1915 são 156 mil grevistas, em 1916 são 310 mil e só nos dois primeiros meses de 1917 são 575 mil grevistas. Em 9 de janeiro de 1917, 150 mil trabalhadores entram em greve em Petrogrado em homenagem aos companheiros mortos no domingo sangrento de 1905. Seguem-se protestos contra a escassez de produtos básicos para alimentação. Os saques em armazéns e padarias tornam-se constantes. O frio de –20º fazia com que as filas de sopas aos miseráveis e aos desempregados tornassem verdadeiros barris de pólvora. Em 24 de fevereiro de 1917, a greve que se inicia em Petrogrado estende-se por todo o país se transformando numa greve geral de alcance nacional. No dia 26, domingo, as fábricas estão fechadas, mas os trabalhadores voltam para o centro da cidade. Os conflitos entre operários e soldados são iminentes. Estima-se em 40 o número de mortos. Os soldados, num determinado momento, recusam-se a atirar nos irmãos operários e a confraternização se inicia. Está dado o fim da repressão. Na segunda, dia 27, os operários voltam ao movimento e mantém a greve. A adesão dos soldados se concretiza de fato e estes acabam por prender oficiais que insistem com as ordens das autoridades. A polícia não entra mais nos bairros operários. A lacuna é rapidamente assumida pelas organizações dos próprios trabalhadores ao assumirem o controle e gestão dos bairros. Em muitos locais de trabalho, o mesmo processo ocorre; diversas empresas passam pela greve de ocupação, autogerindo a produção. Em Moscou, o Czar é destituído. O movimento ganha a batalha, mas ainda não a guerra.

De acordo com o livro, os próprios Partidos de esquerda ficariam boquiabertos com o avanço e organização dos trabalhadores e suas lideranças populares. Trotsky comentaria que houve uma revolução anônima, dirigida na marra por milhares de lideranças sociais disseminadas dentro da luta do povo. Sem direção centralizada, vanguarda ou Partido que definisse seus rumos. Era na prática o avanço das organizações operárias filiadas a grande KRASS – Confederação Russa Anarcosindicalista - que iniciou a grande greve que se espalhou por todo o país e foi responsável pela queda do Czar. Porém, o autor marxista não coloca estas definições em seu texto.

A Consolidação dos Bolcheviques no Poder

Por volta de 1918, os soviets começam a passar por duas crises que acabariam por liquidá-los. O topo da pirâmide organizacional dos soviets, no comando do Estado, começa a se descolar da base, ganha autonomia e suas decisões não respeitam mais as posições dos Conselhos. Além disso, as estruturas criadas anteriormente pelo Partido como os Ministérios e o VESENJA funcionariam como controle dos Conselhos Operários e como amortecedor das exigências dos trabalhadores. Para piorar, o término ocorre quando os bolcheviques assumem de vez o comando do país sem a necessidade de consulta aos soviets. Em dezembro de 1920, o VIII Congresso dos Soviets (os congressos no início eram trimestrais e depois passaram a ser anuais e posteriormente de dois em dois anos) ainda tiveram a participação de Mencheviques e Socialistas Revolucionários. Detalhe: sem direito ao voto. Os Congressos dos sovietes passaram a ser eventos simplesmente manipulados para justificar as decisões tomadas previamente pelos bolcheviques. Era apenas mais uma farsa dentro do sistema para tentar dar aparência de legitimidade nas decisões do Partido.

Mesmo em 1918, 19 e 20, as dissidências internas dentro do bolchevismo não foram toleradas. Foram perseguidas e extinguidas. Em 1919 três órgãos de Direção Interna do Partido foram criados com o objetivo de centralizar ainda mais as decisões da cúpula partidária e de isolá-la das possíveis pressões da base (mesmo que o controle dos soviets já fosse uma dura realidade e um golpe mortal na revolução): foram o “Gabinete Político”, o “Gabinete de Organização” e o “Secretariado”. Em 1921, para piorar ainda mais a situação, foi aprovado uma determinação que combatia o “fracionismo”. Ou seja, o pensamento único era o que restava. O diferente era proibido.

“A absorção dos sindicatos pelo Estado consolida-se. Os sindicatos não precisam ser independentes. Afinal, a classe operária não lutaria contra seu próprio Estado... A simplicidade do raciocínio não constrange a maioria. O Estado multiplica campanhas de mobilização e enquadramento dos operários. Combinam-se estímulos materiais, morais e a coação. Criam-se os sábados comunistas, em maio de 1919, e unidades de trabalhadores de choque, os udarniks”.
[2]

Nesta passagem podemos ter uma idéia do ponto em que se chega o autoritarismo na Revolução Russa e sua semelhança com as mesmas ações dos fascistas na Itália e em outros locais do mundo. Tal controle sobre o movimento operário é digno de regimes totalitários nazi-fascistas que visam a total domesticação do principal instrumento de reivindicação da Classe Trabalhadora.

Em janeiro de 1920, o Exército dos Urais se transforma em 1º Exército Revolucionário do Trabalho. É a proposta experimental de militarização do Trabalho defendida a todo custo por Trotsky em toda a Rússia.

O fim de possíveis autonomias nacionais ou regionais dos diversos povos eslavos e russos, estavam com os dias contados. A submissão de diversas nações e as respectivas anexações destas à Rússia fizeram nascer a URSS. Em 1919, 20 e 21, diversos países se uniram forçosamente a Rússia. Alguns mantendo as mesmas estruturas capitalistas anteriores a Revolução e outros pouca coisa mudando.

Algumas linhas de raciocínio defendem a idéia de que a política centralista era inevitável pela difícil situação das guerras e da questão econômica. O problema é que a centralização se inicia já de imediato a Revolução de Outubro.

A Revolução Russa e o Mundo: 1917-1921

As posturas reformistas e contraditórias da Internacional Comunista IC, eram notórias. Praticavam uma política de apoio as burguesias nacionais que se voltassem contra o imperialismo e ao mesmo tempo tinham que efetuar os apoios necessários aos PC’s nacionais das respectivas nações em que também apoiava as burguesias locais. Em outras palavras, cala-se a boca do movimento operário organizado e do PC local em apoio as políticas “anti-imperialistas” das burguesias nacionais. São as famosas políticas de conciliação de classes defendida a apresentada pelos Leninistas e Stalinistas pós Revolução.

A Rússia manteve dois discursos: um para os países capitalistas ricos e outro para o proletariado mundial. Portanto o discurso da conciliação dos interesses de classes era a traição ao Socialismo e ao verdadeiro Comunismo. A Rússia era o reflexo extremo dessa situação.


[1] Filho, Daniel Aarão Reis. A Revolução Russa: 1917-1921. São Paulo. Editora Brasiliense, 1999. Pg. 84.
[2] Op. Cit. Pg. 88.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A doutrina anarquista ao alcance de todos.
José Oiticica. 5º Edição. Editora Achiamé. 2006. Rio de Janeiro.

Um clássico do anarquismo em língua portuguesa. Oiticica faz uma obra onde expõe argumentos centrais, fortes, práticos ao cotidiano e básicos para a defesa da anarquia, a explicação sobre a mesma, sua história, suas lutas, exemplos, tratando dos mais diversos assuntos e opiniões e debates em torno do que disseram e fizeram os libertários em todos os tempos. Sem sombra de dúvida é uma obra Sociológica sobre a Anarquia e o ponto de vista do que podemos chamar de Sociologia Libertária.

Edgar Rodrigues abre o livro com uma introdução de 17 páginas retratando a vida e a obra do autor fazendo uma retrospectiva da vida de Oiticica e o seu envolvimento com o movimento sindical revolucionário fortemente presente na primeira República. Edgar nos lembra que o livro é escrito em papeis de embrulho de pão, papel jornal e da maneira mais secreta possível, pois José Oiticica estava encarcerado na prisão de Ilha Rasa quando escreve a obra nos anos de 1925. Portanto, existem discussões dentro do movimento Libertário internacional que não estão postas na obra tais como os argumentos e críticas de Rudolf Rocker e seu combate ao Leninismo ou as experiências do anarquismo espanhol que 11 anos antes do início da Guerra Civil já impulsionava o movimento libertário mundial na luta. O livro todo é dividido em 4 partes. A obra toda também é dividida em 123 tópicos, sendo o último item, O movimento Makhnovista na Ucrânia, dividida em outros 42 sub-tópicos. Cada um destes itens ou tópicos trata exclusivamente de um tema geralmente caro aos anarquistas, que vão desde questões sexuais, educacionais, religiosas até as questões econômicas, filosóficas, políticas e diversas entre outras.

Primeira Parte:

Na primeira parte defende a idéia de que o Estado é “órgão de defesa dos proprietários contra os proletários e de regularização da concorrência entre possuidores”.
[1] Para ele, o Estado assume sete características importantes: a feição econômica, financeira, política, militar, jurídica, pedagógica e religiosa.

Como todo homem de seu tempo, também retrata os problemas de seu tempo. Fala da inflação, as campanhas contra a carestia sempre foram fortes argumentos e fontes de luta contra o Estado e o Capital. Na página 40 e 41, itens 24 e 25, tratam do tema de uma maneira muito clara e lúcida. Facilitando a abordagem do tema e da discussão para o mais leigo compreender do que se discute e trata. Aliás, essa é uma marca constante em toda a obra e em todos os assuntos de que aborda. Oiticica escreve da maneira mais direta, simples e correta sem deixar de ser rico, inteligentíssimo e erudito nas suas palavras. O autor também nos remete a Revolta da Chibata em 1910 no Rio de Janeiro e a Revolta de Canudos.

Nos itens 34, 35 e 36, faz uma discussão esclarecedora sobre o papel dos anarquistas diante da Lei. Expõe a idéia de que não é nossa finalidade criar Leis ou melhora-las. Pelo contrário. Nossa finalidade é destruir o Estado e toda Legislação imposta de cima para baixo. Mas acredita que a criação das Leis quando realizada por pressão dos trabalhadores é benéfica pois mostra ao povo que a pressão popular pode surtir resultados e assim faz crer ao proletário que só a luta pode trazer respostas positivas na sua vida coletiva e pessoal. Termina a questão dizendo que uma Lei só é boa quando extingue outra Lei.

Nas páginas seguintes trata da questão da religião, educação, Igreja, Escolas tecendo fortes críticas e argumentos muito bem construídos. Vai até Francisco Férrer para mostrar a audácia da Igreja ao forçar o Estado Espanhol a executá-lo pois aquele desafiou a Igreja e sua Escolas. Em 13 de outubro de 2009, faremos cem anos do fuzilamento do Educador Espanhol Francisco Férrer.

Na página 60, faz uma consideração importante sobre um dos Setores importantes da atividade econômica no capitalismo: o Comércio. Defende a idéia nosso ilustre autor, de que a existência do mesmo na sociedade Acrata é dispensável como também prejudicial:

“Fora dos produtos inúteis propriamente do Estado, outro há que absorve milhões de braços parasitas: o comércio. A função do comércio é aproximar o consumidor do produtor. Veremos que, em regime anarquista, se faz isso diretamente, pelo serviço de distribuição. Em regime capitalista, faz-se por uma série de intermediários que vivem exclusivamente disso”.
[2]

Segunda Parte:

Trata também de diversos assuntos entre os quais a propaganda anarquista, a supressão da autoridade, do Estado e dos Governos, traz uma grande passagem de Kropotkin em a “Conquista do Pão”, descreve 6 grandes grupos de inimigos do anarquismo, entre eles: os proprietários, os religiosos, os pedagogos burgueses, socialistas reformistas, socialistas coletivistas, socialistas autoritários e dentro deste último grupo os partidos políticos tanto de esquerda como os de direita.

Aqui Oiticica inicia uma série de críticas ao Marxismo ou o Socialismo autoritário, porque baseado na autoridade.

Terceira Parte:

Inicia a terceira parte fazendo um contra ponto importante entre Centralismo e Federalismo. Fala também da questão do município como união de diversas Comunas e da união dos próprios Municípios em Federação e destas em Confederações que podem ser continentais ou internacionais. Também fala das questões de organização interna das Comunas, da distribuição da produção e sua conseqüente logística, das hierarquias funcionas (ligadas a função do trabalho, ou seja, realiza a tarefa quem a conhece e a domina profundamente), Enfim, a terceira parte de uma forma geral trata da organização sócio-política e econômica da sociedade libertária. Somente a terceira parte já seria material mais que suficiente para sustentar todo o conteúdo do livro e de sua importância.

Quarta Parte:


Oiticica inicia esta última parte com uma forte crítica as propostas dos reformistas, marxistas, cooperativistas indo de encontro a crítica bolchevista. Cita uma expressão de Kropotkin: “A Revolução Russa ensina-nos como não devemos fazer a Revolução”.
[3] Defende os Soviets e faz uma crítica pesada ao Stalinismo e ao Leninismo citando uma passagem de Trostsky ao criticar Lênin por sua aceitação ao Burocratismo que se inicia na Revolução Russa.

Nas últimas páginas do livro, Oiticica faz em parágrafos um apanhado geral dos acontecimentos mais importantes da Revolução Libertária na Ucrânia de 1917 liderada por Nestor Makhno. São as últimas 20 páginas do livro retratando a experiência do anarquismo russo de forma pontual.

Conclusão:

Será possível uma sociedade sem o uso do papel moeda ou do metal moeda para a realização das transações comerciais na atualidade? E naqueles anos 20, seria possível abolir o uso deste mecanismo facilitador das relações comerciais? Há uma passagem esclarecedora:

“Onde há propriedade particular, há agiotagem. O regime social em que vivemos, a arquia, é o regime da agiotagem. A anarquia é o regime social sem agiotagem. E como todo agiota é parasita, a anarquia é o regime social sem parasitas”.
[4]

A questão da natureza humana: quando Oiticica diz que o homem é o lobo do homem, chegando a citar a frase de Thomas Hobbes, “homo lupus”
[5], defendendo a idéia de um Estado regulador da concorrência, este, portanto, vê um homem mal na sociedade capitalista (por causa das inúmeras questões de influências educacionais que o próprio autor esmiúça durante a obra). Fica, porém a impressão de que o valor que o autor dá ao processo educacional para mudar estes homens lobos é demasiado fantasioso, pois teremos que fazer a revolução com este homem da atualidade: perdido, cheio de vícios, alienado, doente física, mental e socialmente. A impressão que se têm é a de que o autor possui uma visão muito Idealista da realidade (aqui me remeto a noção de Idealismo dentro da discussão da Filosofia), comprovada também pelo poema de abertura da obra “Nos meus momentos de meditação”, onde cita Platão. Nada porém que o faça sair do mundo real e apontar apenas na educação a saída para a grande transformação social como querem hoje tantos anarquistas academicistas e tantos outros militantes do movimento libertário no Brasil e no mundo. Oiticica deixa claro que a saída está na organização popular para a construção da sociedade libertária. Ou seja, botar a mão na massa pra fazer a revolução. Na página 83, letra b, há uma passagem em que o autor deixa claro que o homem possui uma boa índole, é bom por natureza. Ao contrário do que imagina Thomas Hobbes e a noção Hobbesiana de “o homem lobo do próprio homem”[6].

Um outro problema visto na obra é a noção de Estado que o autor nos traz. Ao definir o Estado como “órgão de defesa dos proprietários contra os proletários e de regularização da concorrência entre possuidores”, Oiticica nos traz a verdadeira função do Estado para os Liberais e o único objetivo previsto e aceito entre os Liberais para a função do Estado. Regular a concorrência afim de que não seja predatória. Já que podemos imaginar que o Neoliberalismo privatizou todas os outros serviços básicos de auxílio e assistência a população mesmo que o discurso fosse o de que o Estado deveria cuidar da saúde e da educação. Ao defender a idéia de que está é a função do Estado (regulação da concorrência) além de defensor da propriedade privada, Oiticica também faz uma crítica a organização do sistema econômico, pois nada mais diz que o capitalista é um ser tão desqualificado de inteligência que seria capaz de arruinar a si próprio pela concorrência destruidora de uns contra os outros. Por outro lado, ao definir uma destas duas funções ao Estado (regulador do comércio e defensor da propriedade), parece haver uma influência na leitura de alguns Liberais ao entender na figura do Estado um poder mínimo de regulação da concorrência entre as partes para o funcionamento benéfico do sistema. A influência de debates pré-Keynes parece estar envolvida nessa argumentação, por mais que tal debate da interferência ou não do Estado sobre a economia viesse a se acirrar pós crise de 29.

No mais, a obra segue sendo um material de primeiríssima qualidade que deve ser repassada e lida por todos os simpatizantes e militantes libertários. Merece crédito e defende com bons argumentos temas importantes, polêmicos e difíceis de serem compreendidos na sociedade, mesmo na atualidade. Material riquíssimo em qualidade.

[1] Oiticica, José. A doutrina anarquista ao alcance de todos. 5º Edição.Editora Achiamé. 2006. Rio de Janeiro. Página 36.
[2] Op. Cit. Pg. 61.
[3] Op. Cit. Pg. 124.
[4] Op. Cit. Pg. 38.
[5] Op. Cit. Pg. 35.
[6] Hobbes, Thomas. Leviatã ou matéria forma e poder de um Estado Eclesiástico e Civil. 1978. Editora Abril.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sobre o Anarquismo. Nicolas Walter.

Sobre o Anarquismo

Este livro de Nicolas Walter é um excelente material sobre a história do movimento libertário, o presente e as possibilidades para o futuro. Deveria ser lido por todo militante anarquista ainda no começo de suas atividades e para quem deseja iniciar as discussões acerca da anarquia.

Escrito em 1969, praticamente pouco tempo depois do maio de 68, esta obra expressa posições das diferentes práticas do anarquismo. Dividida basicamente em 4 partes: 1-Em que acreditam os anarquistas? 2-As diversas correntes do anarquismo. 3-O que querem os anarquistas? 4-O que fazem os anarquistas?

Na primeira parte, Walter inicia a discussão da história do anarquismo, indo de encontro ao Socialismo e ao Liberalismo. Faz a defesa explícita de que Liberdade não pode viver sem a Igualdade. Analisa o progresso da história humana de uma maneira que os anarquistas conseguem ver diferenciando-a da evolução histórica que acredita os marxistas: “Nós vemos a história não como um desenvolvimento linear ou dialético em uma determinada direção, mas como um processo dualista”.
[1] Há também grandes raciocínios acerca da questão da representação e da democracia e uma crítica muito bem embasada sobre o Estado e as Classes Sociais. Entra na questão da burocracia defendendo o anarquismo como a real oposição a este problema baseado em sua simples e eficaz organização. Critica a propriedade privada defendendo apenas o direito a pequena propriedade desde que não seja vinculada a exploração da mão de obra alheia. “Para os anarquistas, a propriedade se baseia na autoridade, e não o contrário”.[2] Também discorre sobre Deus e a Igreja, indo de encontro com a opinião de Bakunin sobre o tema (Deus é a autoridade que permite a existência do Estado e vice versa) e finaliza com uma discussão sobre o indivíduo e a sociedade.

Na segunda parte, apesar do título já assustar de ante-mão, “as correntes do anarquismo”, o autor não nos fala de “anarquismos” como ousam alguns falar. Pelo contrário, ele nos explica perfeitamente que “De fato, seria melhor considerá-las não como anarquismos diferentes, mas como aspectos diferentes do anarquismo, e isto em função da orientação de nossos interesses pessoais”.
[3]

Também na página 57, Walter faz uma crítica ao anarcosindicalismo:
“O argumento verdadeiro contra o anarcosindicalismo e o sindicalismo em geral é que acentua excessivamente a importância do trabalho e o papel da classe operária. O sistema de classes é um problema político crucial, mas a luta de classes não é a única atividade política para os anarquistas. O sindicalismo é aceitável quando se considera como um aspecto do anarquismo, não quando encobre todos os demais aspectos. É um ponto de vista válido até certo ponto, mas não é suficiente para tratar de resolver os problemas da vida, fora do trabalho”
[4]. Neste ponto podemos até concordar com Walter, porém em partes e fazendo as devidas ressalvas. Vamos a elas:

1-Que o anarcosindicalismo não pode estar em todas as atividades humanas, talvez o autor tenha razão. Mas até hoje não consegui imaginar onde pode a sociedade e toda sua riqueza e conhecimentos e pluralidades do mundo atual, estarem fora do Sindicato? Fiz essa pergunta a mim mesmo alguns anos atrás: onde é que a sociedade escapa de seu núcleo (que para os anarcosindicalistas é o Sindicato)? Onde a sociedade não se realiza dentro do Sindicato? Na cultura? Está no Sindicato. Na Educação? Está no Sindicato. Na questão da sexualidade? Está no Sindicato. No aspecto econômico? Está no Sindicato. Sinceramente não consigo ver nenhuma outra Instituição da Sociedade Humana que consiga receber tão bem todas as demais atividades humanas (e tão bem todas as outras Instituições da Sociedade Humana) quanto é o Sindicato.

2-Se a luta de classes não é a única atividade política para os anarquistas, é porque talvez nosso autor tenha alguma discordância quanto a questão de que a discussão de gênero, racial, sexual, étnica, ambiental, animal e outras não sejam influenciadas pelo aspecto econômico que é sempre determinante numa sociedade de classes acima de todos os outros aspectos da sociedade humana que cito acima, tais como gênero, raça, sexo, etnia, ambiental, animal e outras. Em outras palavras, o acirramento da Luta de Classes deve ser o maior dos objetivos dos anarquistas tanto no passado como no presente e no futuro. Sem a derrubada da sociedade de classes, portanto a derrubada do Estado e do Capitalismo, a questão da mulher e do homossexual, do sexo, do negro e das demais etnias assim como a do meio ambiente e a dos animais também não serão livres.

3-“E um ponto de vista válido até certo ponto, mas não é suficiente para tratar de resolver os problemas da vida, fora do trabalho”. Mas praticamente todos os problemas da vida estão associados ao trabalho. Se não resolvermos o problema do trabalho, não resolveremos o problema de nossas vidas. Citemos alguns exemplos: a questão do sexo. As sociedades humanas fizeram (forçosamente ou não) escolhas quanto a vida que levaria já na nossa pré-história ao preferirem passar o dia trabalhando e gastando suas energias ao invés de depositá-las no sexo. O homem retira parte de sua energia vital diária para descarregá-la sobre o labor. A questão educacional das crianças também está intimamente envolvida com a questão do trabalho assim como provavelmente todas as outras atividades ou anseios da humanidade. O trabalho é determinante sobre toda a sociedade humana.

Portanto, para finalizar a crítica que o autor faz ao anarcosindicalismo: pode até ser que em alguma atividade humana, a sociedade esteja fora do âmbito do mundo do trabalho, porém sinceramente não consegui imaginar como isso aconteceria.

Indo a terceira parte do livro, “O que querem os anarquistas?” Neste capítulo o autor tece uma série de argumentos sobre os anseios, projetos e propostas para a sociedade libertária futura através do que já foi construído pelos anarquistas no passado e no presente. Fala da questão do indivíduo e da nova família libertária; da sociedade livre e das suas organizações internas, ou seja, se seus núcleos serão comitês, comunas, assembléias, sindicatos, sovietes, conselhos, etc. Entra na discussão do trabalho e de quanto ele é sacrificante na sociedade de classes e traz uma preocupação que é a dos libertários: enquanto os marxistas, a direita e a esquerda se preocupam com a questão da produção e de quanto é importante o aumento da produção para atender os anseios do mercado (ou de quem tem dinheiro para comprar), o interesse dos anarquistas é pelo consumo. Quem mais precisa consumir, está consumindo? Quem mais precisa consumir, tem acesso ao básico? Possui o básico? Pelo menos nos períodos de paz, a grande preocupação libertária é em torno do consumo e não da produção. Já em outro momento histórico, como a Revolução Espanhola, a preocupação com a logística e a produção atenderem de fato aos anseios da Classe Trabalhadora são muitas. Portanto, neste momento, a preocupação também se dá com a produção.

A questão do necessário e do supérfluo também é muito importante. O autor destaca que “Uma sociedade com um mínimo de decência não pode permitir a exploração das necessidades fundamentais”.
[5] O autor também entra nas discussões sobre a educação, repressão, revolução e reforma não acreditando que a última possa trazer de fato a sociedade libertária tão sonhada.

A última parte de sua obra, “o que fazem os anarquistas?” É uma lógica de fatos e ações a serem realizadas desde a tomada de consciência do indivíduo até a sua organização em grupo e a provável possibilidade de que o grupo consiga de fato “incomodar” o sistema chegando ao ponto de ser reprimido pelas forças do Estado. Quando a repressão se abate sobre o coletivo, pode-se ter certeza que a organização está conseguindo causar desconforto e desordem no caminho do Estado e de suas forças policiais. Também realça algo que é extremamente importante de ser lembrado, evitar a todo custo o contato direto com as autoridades. O autor relembra a “propaganda pela ação”, a “propaganda pela palavra” e os métodos de “Ação Direta” que devem ser táticas do movimento para ir ganhando apoio e crescer afim de preparar o objetivo final que é a revolução. Nos finaliza dizendo que apesar de sermos minorias em quase todos os lugares, devemos combater sempre, onde quer que tenhamos possibilidade, independente se a luta é reformista ou não, temos que estar presentes afim de aumentarmos os nossos movimentos e levarmos as nossas propostas adiante.

Walter, Nicolas. Sobre o Anarquismo. Editora Achiamé. 2º Edição. Rio de Janeiro.
[1] Walter, Nicolas. Sobre o Anarquismo. Editora Achiamé. 2º Edição. Rio de Janeiro. Pg. 19.
[2] Op. Cit. Pg. 33.
[3] Op. Cit. Pg. 57.
[4] Op. Cit. Pg. 57.
[5] Op. Cit. Pg. 69.